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    Introdução

    A cintigrafia óssea é um dos exames mais realizados em Medicina Nuclear.

    É uma técnica que consegue localizar zonas onde a formação de osso está aumentada. Estas zonas podem aparecer em resposta a um traumatismo ou a uma lesão benigna ou maligna. Estas áreas de aumento da formação de osso aparecem em fases muito iniciais das doenças e a cintigrafia óssea pode detectá-las muito precocemente.

    Radiofármaco

    Para realizar a cintigrafia óssea é necessário administrar um produto radioactivo numa veia. Esse produto chama-se radiofármaco porque está associado a uma substância radioactiva (Tc-99m) e, no caso da cintigrafia óssea, é dirigido ao osso. O radiofármaco passa das veias e artérias para o espaço entre as células e depois para o osso, onde é incorporado pelas células responsáveis pela formação dos nossos ossos (osteoblastos). A eliminação deste radiofármaco do nosso organismo é feita pela urina.

    O radiofármaco é uma substância radioactiva, pelo que um dos principais receios deste método é a exposição à radiação. Existem recomendações internacionais específicas da quantidade de radiofármaco a administrar, que salvaguardam a sua segurança nas crianças.

    Porque é realizado

    Na claudicação da marcha (criança coxa/manca) a cintigrafia óssea está indicada quando, após a avaliação inicial pelo médico, não é possível chegar à sua causa. Como em todos os exames que envolvem radiação só deve ser realizada quando houver benefício que justifique essa exposição, o que é assegurado pelo médico que realiza o exame em colaboração com o que observa a criança.

    Como é um exame que detecta alterações no osso em fases muito iniciais da doença e avalia todo o esqueleto, pode ser muito útil no esclarecimento da causa que leva a criança a coxear. Pode mostrar alterações antes da radiografia e pode mostrar outros locais da doença.

    Uma das limitações da cintigrafia óssea é o facto de diferentes doenças poderem apresentar as mesmas alterações na cintigrafia óssea. De forma a diminuir esta limitação podem ser usadas várias formas de obter as imagens. [ver Como é realizado]

    Como é realizado

    Após ser administrado o radiofármaco numa veia são obtidas imagens na câmara gama. A câmara gama é um aparelho capaz de detectar a radiação presente na criança e de a localizar no seu corpo, dando origem a uma imagem que traduz a distribuição do radiofármaco no seu organismo.

    As imagens demoram em média 40 minutos a fazer, mas pode ser muito variável, conforme o número de imagens. Durante este período de recolha de imagens a criança deve manter-se o mais quieta possível, respirando normalmente e os pais podem sempre acompanhá-la. Deverão ser retirados os objectos metálicos para não causarem artefactos nas imagens.

    Conforme a informação que se pretende, podem ser realizados diferentes protocolos de imagem.

    A cintigrafia óssea em 3 fases ou com fase vascular é o protocolo mais utilizado na criança que coxeia. Compreende 3 momentos de imagem, sendo os dois primeiros realizados, respetivamente, ao mesmo tempo em que o radiofármaco é administrado na criança e entre 5-10 minutos depois (ver Fig.1 A e B).  Finalmente, recolhem-se imagens num terceiro momento, 2 a 4 horas depois dos dois primeiros conjuntos de imagens (ver Fig. 1 C e Fig. 2). Este protocolo permite obter padrões de imagem que ajudam a distinguir as diferentes doenças que podem estar envolvidas.

    Fig. 1 - Cintigrafia óssea em 3 fases [A-vascularização; B-distribuição intersticial; C-distribuição óssea]
    Fig. 2 - Cintigrafia óssea de corpo inteiro [Imagem amavelmente cedida pelo Serviço de Medicina Nuclear do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra]

    Podem ainda ser realizadas imagens tomográficas de uma região do corpo, rodando os detetores da câmara gama em torno da criança (ver Fig. 3).

    Por vezes, quando se dispõe de uma câmara gama hibrida (que tem incorporado um equipamento TC), obtêm-se também imagens radiológicas (TC) para esclarecer melhor o local das alterações encontradas (ver Fig. 4). A maneira de obter o TC está optimizada (TC de baixa dose) de forma a baixar a dose de radiação para níveis que não prejudiquem a criança.

    Contraindicações

    Este exame não deve ser realizado em pessoas grávidas ou alérgicas aos componentes do radiofármaco, sendo que este tipo de alergia é muito raro. No caso de pessoas a amamentar, a mesma deve ser suspensa durante 12 horas (durante esse período deve ser retirado o leite e desperdiçado).

    Limitações

    Existem alguns medicamentos que podem interferir com a qualidade da imagem, pelo que deverá ter sempre disponível a lista de medicamentos que a criança toma.

    Cuidados a ter

    Não é necessária preparação antes de realizar este exame.

    Como o produto administrado é eliminado na urina, a criança deve beber líquidos abundantemente, para urinar o mais possível nas primeiras horas. No caso de crianças pequenas devem-lhe ser oferecidos líquidos mais vezes e trocada a fralda mais frequentemente.

    Se quem cuida da criança que realizou o exame está grávida, por precaução deve evitar cuidar directamente dela nas 24 horas após o exame de forma a reduzir a exposição à radiação do embrião/feto.

    A cintigrafia óssea é um exame seguro. Muito raramente podem ocorrer sintomas de rash na pele, náuseas, hipotensão e dores articulares, que podem iniciar-se entre 4 a 24 horas após a administração do radiofármaco.

    Dosimetria

    A dose de radiação à qual a criança está exposta durante este exame é muito pequena, equivalendo, em média, a menos de 2 anos da radiação natural a que todos estamos expostos no dia-a-dia.

    No caso de se recorrer a estudo TC (se for necessário realizar SPET/CT), a dose de radiação aumenta um pouco, mas o exame é sempre realizado com protocolos de “baixa dose”.

    Glossário

    Medicina Nuclear – especialidade médica que utiliza substâncias radioactivas para efectuar exames de diagnóstico e tratamentos específicos
    Claudicação da marcha – termo que caracteriza dificuldade em andar (em inglês, “limping”)
    Cintigrafia óssea – exame de Medicina Nuclear que permite avaliar actividade osteoblástica, com possibilidade de detectar alterações da mesma
    Radiofármaco – molécula marcada com isótopo radioactivo, utilizada em Medicina Nuclear
    Câmara gama – aparelho utilizado em Medicina Nuclear que permite detectar radiação gama emitida pelo radiofármaco administrado ao doente e transformá-la em imagem
    SPET – acrónimo para “Single Photon Emission Tomography”, que significa tomografia por emissão de fotão único, permitindo um estudo tridimensional das estruturas avaliadas nos exames de Medicina Nuclear
    SPET/CT – acrónimo para “Single Photon Emission Tomography”, que significa tomografia por emissão de fotão único, permitindo um estudo tridimensional das estruturas avaliadas nos exames de Medicina Nuclear, associado a um componente “Computed Tomography”, que acrescenta correcção de atenuação e referenciação anatómica das estruturas

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