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Introdução

Definição

Denomina-se corrimento mamilar a passagem de conteúdo liquido através do mamilo de forma espontânea ou após manipulação do tecido mamário.

Epidemiologia

Apesar de não haver dados epidemiológicos específicos da população pediátrica trata-se de um sintoma raro neste grupo e frequentemente associado a causas benignas e auto-limitadas. Nas mulheres mais velhas, em idade reprodutiva, estima-se que 50 a 80% terá pelo menos um episódio de corrimento mamilar.

História Clínica

Anamnese

A história clínica e o exame objectivo são importantes para determinação da causa e subsequente avaliação, sendo o grande objectivo identificar os corrimentos mamilares suspeitos. Deve-se ter em conta a idade da criança, o estado pubertário, e a duração dos sintomas, bem como o seu padrão. É importante reconhecer se o corrimento mamilar é espontâneo ou apenas após manipulação e as suas características. Outra sintomatologia sistémica ou local associada também deve ser questionada, nomeadamente sinais inflamatórios locais ou sistémicos e detecção de nódulos mamários. A medicação habitual deve também ser inquirida.

Exame objectivo

O exame mamário deve ser realizado de uma maneira sistemática e deverá ser verificado: se é espontâneo ou provocado, a cor e as características, se é uni ou bilateral, e se é uni ou multiporo. Para isso poderá ser necessária a massagem da mama desde a região periférica até à central, aplicando uma pressão suave e firme na base da aréola (e não no mamilo). Massas ou empastamentos mamários devem ser descritos. Deve-se ainda ter em conta a simetria e o contorno, a posição dos mamilos, o aspecto vascular, retrações da pele, edema ou eritema e ulceração ou escama. Adenopatias axilares, infra ou supraclaviculares devem ser pesquisados.

Diagnóstico Diferencial

Os corrimentos mamilares suspeitos geralmente são espontâneos, hemáticos, unilaterais e uniporo, sendo a doença maligna da mama extremamente rara em crianças e adolescentes.

Galactorreia – bilateral e de aspeto leitoso, tipicamente associada a hiperprolactinémia. Algumas das possíveis causas são: hipotiroidismo (causa mais comum em idade pediátrica), hipogonadismo, gravidez, hiperestimulação manual, drogas (antidepressivos tricíclicos, antidopaminergicos, canabinoides), e tumores produtores de prolactina.

Infeção/abcesso – unilateral, uni ou multiporo, purulento, associado a sinais inflamatórios.

Ectasia ductal – unilateral, uni ou multiporo, viscoso e de coloração variável, incluído sanguinolento, associado a lesão quística palpável ou não.

Papiloma intraductal – seroso ou sero-sanguinolento, uniporo e unilateral. Apesar do risco comportado de evolução para cancro da mama nas mulheres adultas, na população pediátrica essa associação é rara.

Traumático – sanguinolento, com história clínica sugestiva, nomeadamente lesões a baixas temperaturas, exercício físico exuberante ou toracotomia.

Exames Complementares

Patologia Clínica

A cultura do corrimento mamilar pode ser realizada apesar da sua baixa sensibilidade. Se purulento, a colheita para estudo microbiológico está indicada, para esclarecimento do agente causador e teste de sensibilidade a antibióticos.

Perante galactorreia deverá ser pedido teste imunológico de gravidez (se doente em idade reprodutiva e história compatível), doseamento hormonal da prolactina, FSH, LH  e função tiroideia.

Imagiologia

Se houver massa palpável ou suspeita, então um exame imagiológico deve ser realizado, sendo nesta idade a ecografia mamária o exame mais indicado. Outros exames como ressonância magnética nuclear, ductografia, lavagem ductal, ductoscopia, ou biópsia podem ser úteis em casos selecionados.

Tratamento

As opções terapêuticas são dirigidas ao agente causador. No caso de galactorreia a investigação etiológica deve ser feita no sentido de suspender ou corrigir as alterações subjacentes. Antibioterapia dirigida deverá ser instituída se infeção/abcesso mamário. No caso de corrimento mamilar patológico, e excluindo malignidade, o tratamento cirúrgico é o preferido com excisão do ducto afectado. Nos raros casos de malignidade o estadiamento e a terapêutica apropriada deverão ser instituídos.

Evolução

Exceptuando malignidade, os corrimentos mamilares na idade pediátrica tem uma evolução muito favorável, sendo uma atitude expectante aconselhada. A maioria das causas nestas idades é auto-limitada ou reverte após tratamento dirigido.

Bibliografia

  1. Banikarim C.; Breast disorders in children and adolescentes: An overview; [Uptodate], (revisão Set. 2016)
  2. Golshan M.; Nipple discharge; [Uptodate], (revisão Out 2016)
  3. Fallat M.; Brest disorders in children an adolescentes; J Pediatr Adolesc Gynecol (2008) 21:311-316

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