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Introdução

Definição

Infecção da pele muito perto do ânus com formação de pus.

Epidemiologia

É mais frequente no primeiro ano de vida e no sexo masculino.

Se surge em crianças maiores, pode ser um primeiro sinal de uma doença inflamatória intestinal ou de imunodeficiência, como sucede na leucemia ou na SIDA.

Em crianças pequenas, geralmente deve-se à infecção de uma fissura anal. Pode também iniciar-se, à semelhança do que sucede nos adultos, com uma infecção nas criptas da linha dentada que progride através do plano inter-esfinctérico dando origem ao abcesso.

História Clínica

Anamnese

Inicia-se com uma tumefacção perianal, com sinais inflamatórios locais, a que se associa dor e febre. Se se deixar evoluir sem qualquer tratamento, o abcesso acaba por drenar espontaneamente, ou seja surge um orifício na pele por onde sai grande quantidade de pus.  

Exame objectivo

O diagnóstico é evidente à observação clínica, observando-se uma tumefacção com pele inflamada, dolorosa ao toque, na margem do ânus, podendo estender-se até à nádega.

O exame objectivo da criança deve ser feito com cuidado mas afastando bem as nádegas, para permitir uma boa observação da margem anal.

Diagnóstico Diferencial

Ulcerações anais – surgem em crianças maiores ou adolescentes, geralmente secundárias a doença inflamatória intestinal.

Fístula anal – tem um trajecto e um orifício que habitualmente drena líquido purulento. Pode surgir após drenagem de um abcesso perianal.

Exames Complementares

Patologia Clínica

Devem realizar-se análises se se suspeita de uma doença imunossupressora, principalmente em crianças maiores com outros sintomas de imunodeficiência.

Imagiologia

Quando surgem abcessos anais em crianças maiores ou adolescentes deve efectuar-se colonoscopia para excluir doença inflamatória intestinal.

Tratamento

Antibioterapia

O tratamento com amoxicilina e ácido clavulâmico ou flucloxacilina por via oral é habitualmente suficiente, devendo manter-se por 5 a 7 dias.

No caso de recém-nascidos, bebés com outras patologias, infecção local grave ou múltipla ou intolerância oral, pode estar indicado o tratamento por via endovenosa, com os mesmos agentes ou adicionando metronidazol, para uma melhor cobertura dos agentes anaeróbios.

Tratamento cirúrgico

Quando o abcesso apresenta sinais de flutuação, ou seja, tem uma parte central mais esbranquiçada e de consistência mole, tem indicação para drenagem cirúrgica. Consiste em fazer uma incisão e drenar o pus do abcesso. Pode ser feito com anestesia local (cloreto de etilo em spray) ou com anestesia geral, no caso de abcessos mais volumosos. Deve manter-se um dreno no local e efectuar penso diariamente até à cicatrização completa.

Evolução

Um abcesso medicado com antibioterapia pode regredir completamente em 7 a 14 dias. Se necessitar de drenagem cirúrgica ou drenar espontaneamente também cicatriza em 7 a 14 dias após a drenagem, necessitando efectuar pensos durante esse tempo.

Em alguns casos, principalmente se não houver cuidados de higiene local, ou em crianças maiores, os abcessos, após drenagem, podem evoluir para a formação de fístulas perianais.

Recomendações

Bons hábitos de higiene são importantes na prevenção dos abcessos perianais, principalmente nas crianças que ainda usam fralda, quando esta patologia é mais frequente.

Na presença de abcesso perianal fora da idade habitual deve excluir-se doença inflamatória intestinal ou imunodeficiência.

Bibliografia

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