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Introdução

Definição

O torcicolo é uma postura preferencial que a criança apresenta em que a cabeça fica inclinada para um lado e o queixo apontado para o ombro do lado oposto. Pode estar associada a várias patologias, mas a causa mais comum é o torcicolo muscular congénito (TMC). O TMC surge logo após o nascimento ou nos primeiros meses de vida, e para além da postura pode também existir um nódulo palpável no pescoço.

Frequência

A incidência do TMC pode atingir os 16% e apresenta igual prevalência quanto ao sexo e ao lado mais afectado.

Causa

A causa do torcicolo muscular congénito deve-se a uma alteração na estrutura de um músculo do pescoço: o esternocleidomastoideu (ECM). Numa criança com torcicolo pode ser necessário excluir outras doenças associadas nomeadamente alterações dos ossos da coluna vertebral, alterações da visão ou outras doenças neurológicas mais graves.

Sinais e sintomas

Para além da postura característica já descrita, no TMC a criança não apresenta outros sintomas associados.

No caso de febre, vómitos, alterações da visão ou outros sintomas deve informar-se o pediatra assistente de modo a serem excluídas outras doenças.

Torcicolo Muscular Congénito

O que fazer

O TMC é uma doença benigna e na maioria dos casos com boa evolução. Se notar uma postura do pescoço preferida do seu filho deve dizer ao seu pediatra de modo ao bebé ser orientado para consulta  de reabilitação podendo necessitar de tratamento de fisioterapia.

Tratamento

O tratamento consiste em exercícios que o bebé deve realizar para fortalecer os músculos do pescoço de forma contrariar a postura adoptada. Nos casos mais leves o tratamento pode ser realizado no domicílio pelos pais, depois de serem ensinados os exercícios. Aqui estão algumas estratégias recomendadas:

  • estimular a criança a olhar para o lado que usa menos, alimentando-a e brincando com ela desse lado;
  • colocar o bebé no berço, de modo que a cama dos pais fique do lado menos preferido pela criança;
  • pegar ao colo lateralmente de modo que o lado “não-afectado” fique apontado para cima.
  • amamentar ou dar biberão de maneira que o pescoço fique rodado para o lado menos utilizado,
  • “tummy time” – todos os dias, várias vezes ao dia, colocar o bebé de decúbito ventral, acordado e sob supervisão, estimulando com um brinquedo.
  • Se com estes exercícios realizados pelos pais não se verificar melhorias, pode ser necessário a realização de um programa de fisioterapia.

Faz parte do tratamento o ensino aos pais dos posicionamentos e exercícios adequados, os quais devem ser realizados  nas rotinas diárias e que são fundamentais para um bom resultado terapêutico.

Nos casos em que o torcicolo persiste mesmo após alguns meses de tratamento, pode tentar-se infiltração do ECM com toxina botulínica, realizada por especialista com experiência e seguido de programa intensivo de fisioterapia1.

O tratamento cirúrgico está indicado nos casos mais graves e que não melhoram com fisioterapia. A cirurgia consiste habitualmente na libertação de algumas partes do músculo. Após a cirurgia deve também realizar-se um programa de fisioterapia para estiramento muscular.

A utilização de Ortótese do pescoço ou “kinesio-tape” não está indicada.

Evolução / Prognóstico

Os casos que inicialmente apresentam um “nódulo” palpável e alguma limitação das amplitudes articulares do pescoço são aqueles com pior prognóstico, com maior tempo de tratamento e que podem vir a necessitar de cirurgia. No entanto, sabe-se que quanto mais precocemente a criança iniciar tratamento melhor a evolução e a probabilidade de existir resolução completa.

Prevenção / Recomendações

É aconselhável, mesmo nos recém-nascidos sem assimetrias da postura, a alternância da orientação do berço relativamente à cama dos pais para estimular o bebé a olhar igualmente para os dois lados. Também a realização de períodos de “barriga para baixo”, supervisionados, a partir do primeiro mês de vida e a alternância de lateralidade no colo e durante a alimentação são importantes para prevenir este tipo de torcicolo.

As informações da Pedipedia não substituem nem devem adiar a consulta pessoal com um profissional de saúde qualificado.

Mais informações.

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