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Introdução

Definição

A Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção (PHDA) é a perturbação mais frequente do neurodesenvolvimento. Caracteriza-se por desatenção ou hiperatividade/impulsividade ou a sua combinação com significativo comprometimento da vida académica, social e familiar.  O diagnóstico geralmente ocorre na infância mas, frequentemente, os sintomas mantêm-se na adolescência e idade adulta. Na etiologia desta perturbação estão envolvidos fatores neurobiológicos, genéticos e ambientais.

Sinais e sintomas

As manifestações típicas de desatenção e/ou hiperatividade / impulsividade devem ser observadas em pelo menos dois ambientes distintos. A intensidade dos comportamentos e o grau de disfunção que lhes está associado determina quem é diagnosticado e proposto para tratamento da perturbação.

O que fazer

As crianças com manifestações sugestivas deverão ser encaminhadas para consulta médica direcionada para o diagnóstico da perturbação e exclusão de outras possíveis patologias.

Tratamento

O tratamento da PHDA envolve uma abordagem múltipla que engloba intervenções psicopedagógicas e farmacológicas.

Uma abordagem não farmacológica isolada, está recomendada em crianças pré-escolares ou nas situações mais ligeiras.  O inicio de medicação é sempre uma decisão dos pais, depois de devidamente informados, e a sua manutenção depende da resposta, avaliada caso a caso, e da eventual presença de efeitos colaterais.

O metilfenidato  é o fármaco de 1ª linha no tratamento da PHDA, de acordo com todos os protocolos internacionais, com efeitos positivos e  objetivos na redução da hiperatividade e impulsividade, na melhoria da atenção e no potencial de aprendizagem. Com mais de 60 anos de utilização em todo o mundo, é o psicoestimulante mais estudado e mais utilizado na criança, com um nível de eficácia próximo dos 80% e elevados padrões de segurança. Actualmente está disponível em Portugal um segundo fármaco, não estimulante, a atomoxetina. O seu uso tem sido ainda limitado por só recentemente ter sido  comparticipado. Tem indicações clínicas precisas, como fármaco de 2ª linha, nos casos de  insucesso ou contraindicações ao metilfenidato.

No âmbito das intervenções psicopedagógicas, o primeiro passo deve ser educacional, através de informações e orientações claras e precisas à família e docentes. Muitas vezes, é necessário um programa de treino parental, com o objetivo de ensinar técnicas específicas que melhorem a capacidade para modelar o comportamento dos filhos. Intervenções em contexto escolar são igualmente importantes, com vista à obtenção de rotinas diárias consistentes em ambiente escolar previsível, que ajuda estas crianças a manterem a estabilidade emocional e comportamental. É importante que a criança seja posicionada na sala de aula em local que permita minimizar os estímulos perturbadores da atenção, de preferência mais perto do professor, o que facilita o contacto visual frequente, e o mais afastado possível de portas, janelas e companheiros preferenciais. Devem ser evitadas tarefas demasiado longas ou repetitivas e disponibilizar-se apoio pedagógico individualizado. Pode ser necessário um acompanhamento psicopedagógico, centrado nos aspectos ligados à organização e ao planeamento do tempo e das atividades.

Evolução / Prognóstico

Ao longo do desenvolvimento, a PHDA está associada a um risco aumentado de baixo rendimento escolar, reprovações, expulsões e suspensões escolares, relações difíceis com familiares e colegas, desenvolvimento de ansiedade e depressão, baixa auto-estima, problemas de conduta e delinquência, experimentação e abuso de drogas, acidentes de viação, assim como dificuldades nos relacionamentos na vida adulta, problemas conjugais e laborais. A alta prevalência deste transtorno, aliada ao grande prejuízo na qualidade de vida dos seus portadores e familiares, determinam um grande impacto desta patologia na sociedade. Diversos estudos comprovam que mais de 50% dos pacientes mantêm sintomas na vida adulta, com significativo comprometimento da vida social, académica, laboral e familiar. Neste contínuo, apesar de os sintomas nucleares da PHDA surgirem sob diferentes formas, eles constituem causa de défices significativos, nos diversos contextos de vida.

As informações da Pedipedia não substituem nem devem adiar a consulta pessoal com um profissional de saúde qualificado.

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