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Introdução

Definição

A pediculose capitis (piolhos da cabeça) é uma infestação que afecta o couro cabeludo do ser humano, especialmente de crianças em idade pré-escolar e escolar. 

Frequência

É muito frequente na idade pediátrica, ocorre em ambos os géneros, sendo mais frequente nas meninas e na raça branca. É independente do nível socioeconómico e dos hábitos de higiene. 

Causa

É causado pelo piolho da cabeça, Pediculus humanus capitis, um parasita obrigatório do couro cabeludo humano que se transmite pelo contacto directo cabeça com cabeça e mais raramente pela partilha de objectos (por exemplo chapéus) que contactam com o cabelo. Apesar de não transmitir doenças através da picada é bastante incómodo, pois causa prurido (comichão) do couro cabeludo. 

Sinais e sintomas

O sintoma principal é o prurido do couro cabeludo, o qual, na primeira exposição ao piolho, surge geralmente 4 a 6 semanas após o início da infestação. Pela coceira repetida podem surgir escoriações e até mesmo infeções da pele. Poderão ser palpados gânglios linfáticos aumentados na região da nuca e do pescoço. Uma observação cuidadosa do couro cabeludo, utilizando um foco de luz, sobre uma base branca, e de preferência com o cabelo húmido, permite observar os ovos do piolho (lêndeas) aderentes aos fios de cabelo, tipicamente nas áreas da nuca e atrás das orelhas; mais raramente pode observar-se o piolho vivo, o qual tem uma cor translúcida, confunde-se com os cabelos envolventes e move-se rapidamente. Na infestação ativa os ovos encontram-se aderentes aos fios de cabelo a menos de 1cm do couro cabeludo e têm uma cor acinzentada e um aspecto gelatinoso. Quando se observam apenas ovos de cor branca afastados do couro cabeludo, estes estão geralmente vazios, sendo pouco provável que se trate de uma infestação ativa, podendo significar infestação passada. 

O que fazer

Na maior parte dos casos os cuidadores são informados da pediculose capitis por funcionários do infantário ou da escola que a criança frequenta. Este diagnóstico deverá ser confirmado por um médico, que poderá prescrever e explicar o tratamento indicado em cada caso. Os cuidadores poderão também ser informados da existência de outras crianças afectadas na escola, e da necessidade de inspecionar o couro cabeludo para verificar se ocorreu contágio.

Tratamento

O tratamento da pediculose capitis consiste na aplicação de um produto na forma de champô, loção ou creme que vai matar o piolho, quer por acção directa da substância no caso dos pediculocidas, quer pelo efeito oclusivo do produto aplicado, o que origina a asfixia do piolho. A dificuldade conhecida em eliminar a infestação deve-se, por um lado, à resistência adquirida pelo piolho aos pediculocidas e, por outro, à acção reduzida que estas substâncias têm sobre os ovos. Por esta razão, a remoção manual repetida dos ovos e dos piolhos, realizada com o cabelo húmido, utilizando um pente específico de dentes finos, é um adjuvante importante a qualquer terapêutica aplicada. O tratamento com um pediculocida requer a sua repetição cerca de uma semana depois, enquanto as substâncias oclusivas poderão requerer 2 ou mais ciclos de tratamento.

A transmissão através dos objectos que contactam com o cabelo é pouco provável, contudo, o seu tratamento é recomendado. Os objectos em contacto directo com o cabelo e a roupa de cama devem ser tratados, assim como as roupas utilizadas nas últimas 48h. A roupa deve ser lavada a temperatura >50º, os tecidos em contacto directo com a cabeça, como os sofás, os encostos de cabeça do automóvel devem ser apenas aspirados. Medidas exageradas de desinfecção não são recomendadas. A viabilidade do piolho e dos ovos fora do hospedeiro é muito pouco provável após 48h. 

Evolução / Prognóstico

Após realizado o tratamento, os cuidadores devem manter os cuidados de pentear e inspecionar o cabelo. Se não forem observados novos piolhos ou ovos significa que a infestação está resolvida. Os ovos vazios não significam persistência da infestação e podem ser removidos apenas por razões estéticas. A criança pode manter por alguns dias um prurido ligeiro do couro cabeludo, reativo à acção dos tópicos aplicados, e que é autolimitado não necessitando geralmente de terapêutica. Mesmo quando a terapêutica é bem sucedida as reinfestações são frequentes. 

Prevenção / Recomendações

As únicas medidas preventivas eficazes são o diagnóstico precoce da infestação, o tratamento eficaz da criança afectada e a vigilância dos contactos próximos visando o diagnóstico precoce dos casos de contágio e o seu tratamento em simultâneo. 

As crianças devem ser aconselhadas a não partilhar objectos pessoais que estão em contacto com o cabelo como pentes, chapéus, entre outros. O contágio ocorre frequentemente pelo contacto entre cabeças durante as brincadeiras e estas não devem ser desencorajadas. Uma criança com piolhos não deve ser enviada mais cedo da escola para casa, nem deve ser excluída da atividade escolar porque na verdade, na maior parte dos casos, a infestação tem pelo menos um mês de evolução. Se possível o tratamento deve ser realizado no mesmo dia e a criança deverá retornar à escola no dia seguinte.

Nos infantários e nas escolas os chapéus e os casacos devem ser sempre colocados em cabides separados. As meninas devem manter os cabelos mais curtos pois facilita a remoção mecânica dos piolhos e das lêndeas em caso de infestação. O ato de rapar o cabelo não é aconselhado. Os cuidadores devem observar periodicamente o couro cabeludo da criança para identificar possíveis reinfestações.

 

As informações da Pedipedia não substituem nem devem adiar a consulta pessoal com um profissional de saúde qualificado.

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