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Introdução

Definição

As Perturbações do Neurodesenvolvimento (PND) são um grupo de patologias de origem neurobiológica, que se manifestam por alterações a nível do desenvolvimento e/ou comportamento. Caracteristicamente aparecem na infância, mas tendem a manter-se ao longo da vida, nomeadamente na adolescência e adultícia. 

Frequência

As PND são muito frequentes na população em geral e, naturalmente, na adolescência. 

As perturbações de desenvolvimento intelectual estão presentes em 2 a 4% dos adolescentes, as perturbações específicas da aprendizagem em 5 a 10%, as perturbações da comunicação em 5 a 7%, a perturbação de défice de atenção e hiperatividade em 1,7 a 9% e as perturbações do espetro do autismo em 0.6 a1,2%.

Causa

As causas são variadas, resultado da interação de fatores genéticos e ambientais (fatores epigenéticos) e, em grande parte dos casos, a causa exata é desconhecida.

Como em qualquer período da infância, as experiências ambientais podem ter influências determinantes na sua trajetória de vida.

Sinais e sintomas

A perturbação de desenvolvimento intelectual (PDI) manifesta-se pela presença de défices a nível das capacidades intelectuais, nomeadamente com comprometimento a nível do pensamento abstrato, raciocínio, resolução de problemas, aprendizagem e no próprio funcionamento adaptativo, limitando a autonomia pessoal e social.

As perturbações específicas da aprendizagem caraterizam-se por dificuldades persistentes a nível da leitura, escrita e/ou cálculo, e manifestam-se desde os primeiros anos de escolaridade.

As perturbações de comunicação abrangem alterações a nível da linguagem, da comunicação (verbal e não verbal) e fala (produção de sons).

A perturbação do espetro do autismo apresenta-se com alterações persistentes a nível da comunicação e interação social, associadas a comportamentos restritos e repetitivos.

A perturbação de défice de atenção e hiperatividade com níveis de desatenção e/ou hiperatividade e impulsividade desajustados à idade cronológica interferem com o funcionamento académico, social e emocional.

É frequente a presença de dois ou mais diagnósticos (comorbilidade) na mesma criança/adolescente.

O que fazer

A adolescência, é uma fase em que o risco assume uma dimensão significativa. Pelas limitações inerentes, adolescentes com PND enfrentam riscos/desafios acrescidos, em ambientes com barreiras físicas e de atitude potencialmente comprometedores da sua participação e desempenho, geradores de dificuldades a nível pessoal, académico, laboral e social.

A parentalidade de crianças e adolescentes com PND pode ser especialmente desafiante, nomeadamente na ausência de diagnóstico e acompanhamento especializado.

É fundamental o diagnóstico precoce ou atempado, visando um plano de intervenção específico e adequado.
A intervenção é direcionada para a promoção de fatores de proteção que permitam a estes adolescentes lidar com sucesso aos desafios e às adversidades a que são sujeitos.

Tratamento

O tratamento depende das características e necessidades de cada adolescente, dado o início precoce e o carater permanente destas situações; grande parte destas crianças/adolescentes estará exposta a múltiplas intervenções dirigidas a sintomas alvo específicos, ao longo da sua vida.

A complexidade e a alta prevalência de comorbilidades, faz com que necessitem de um vasto leque de serviços de saúde, escolares e comunitários (equipas pluridisciplinares).

Preconiza-se uma intervenção multimodal dirigida a cada uma das patologias e um plano de intervenção específico, adequado a cada adolescente, tendo em conta o seu perfil de funcionalidade. 
Neste plano devem estar envolvidos pais, professores e profissionais de saúde (pediatras de neurodesenvolvimento, pedopsiquiatras, neuropediatras psicólogos e terapeutas).

Os psicofármacos não são considerados o tratamento de primeira linha para as PND.  De primeira linha, devem ser considerados o apoio psicológico e apoios terapêuticos centrados nos pais e cuidadores numa perspetiva contextualística-holística.

Os principais apoios terapêuticos englobam a psicologia, terapia da fala, fisioterapia, terapia ocupacional, docentes de educação especial e técnicos de apoio social.

A intervenção farmacológica nomeadamente a utilização de psicofármacos deve ser ponderada no controlo de sintomas, visando o tratamento das comorbilidades do foro psiquiátrico e a melhoraria global da funcionalidade.

Evolução / Prognóstico

As Perturbações do Neurodesenvolvimento têm uma evolução dinâmica, observando-se frequentemente a aproximação ao desenvolvimento típico, com base num plano de intervenção precoce e especializado; a ausência de intervenção o seu início tardio ou desajustado ao perfil funcional do adolescente, condicionam a estagnação, desfasamento e agravamento das limitações e ou incapacidades.

Os adolescentes com PND experienciam dificuldades acrescidas, uma vez que o ambiente raramente se constitui como elemento facilitador nas suas vidas. Dificuldades de autonomia motora, decisional, de adaptação na transição da escola para a vida ativa, isolamento social, dificuldades de inclusão na escola e  mercado laboral, com a consequente dependência económica são algumas das barreiras com que se defrontam na adolescência e adultícia.

A exposição a situações de risco social e ambiental, em jovens com dificuldades de comunicação e interação social, podem aumentar o risco de delinquência e prédelinquência, ao identificarem-se com grupos de pares desviantes, pela necessidade sentida de serem aceites.

Adolescentes e jovens adultos com PND apresentam um risco acrescido de co-morbilidade por patologia do foro psiquiátrico (auto ou hetero-agressão, suicídio, perturbações de conduta, psicoses, perturbações do humor e da ansiedade) ou consumo de substâncias psicoativas.

Prevenção / Recomendações

A promoção de comportamentos e estilos de vida saudáveis nos adolescentes com PND, aliado a um plano de intervenção direcionado para pais, professores e outros técnicos envolvidos no processo de habilitação/reabilitação, permite antever um processo de transição para a vida adulta, mais harmonioso.

As informações da Pedipedia não substituem nem devem adiar a consulta pessoal com um profissional de saúde qualificado.

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