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Introdução

Definição

O insucesso académico carateriza-se pela dificuldade em acompanhar a formação escolar e atingir os objetivos de aprendizagem propostos no tempo previsto para a idade. 

Frequência

As dificuldades de aprendizagem podem culminar em retenção e abandono escolar. As taxas de retenção em Portugal têm vindo a diminuir nos últimos 5 anos, no entanto ainda há anos com uma taxa de retenção superior a 10%. 

Causa

Habitualmente o insucesso escolar deve-se a um conjunto de factores em vez de uma causa isolada. Crianças com dificuldades de aprendizagem podem ter como causa factores relacionados com o próprio (intrínsecos), com a família ou com a escola (ambientais ou contextuais).

Sinais e sintomas

Existem vários sinais ou comportamentos que podem alertar para o insucesso escolar para além do resultado de testes ou avaliações. Sinais incluem depressão, falta de motivação, dificuldades em focar ou fixar a atenção, baixa tolerância à frustração, ansiedade, inibição, agressividade, hiperatividade, fobia escolar e labilidade emocional.

Outros sinais ou sintomas relacionados com doenças crónicas ou agudas associadas a dificuldade de aprendizagem podem também estar presentes: astenia, perda de apetite, perda de peso, palpitações, dificuldades auditivas e visuais, alterações neurológicas como convulsões, alterações cutâneas, alteração do padrão do sono, alteração de hábitos intestinais.

Sinais de alarme podem estar presentes mesmo antes de a criança atingir a idade escolar. O desenvolvimento psicomotor (principalmente da linguagem) é um importante predictivo do sucesso escolar e são sinais de alerta: a falta da interacção a impedir ou dificultar a comunicação aos 8 meses; ausência de palreio aos 8 meses; ausência de emissão de palavras aos 18 meses; não juntar duas palavras, não imitar ou não ter jogo simbólico aos 2 anos;  não fazer frases ou apresentar uma fala ininteligível aos 3 anos.

Factores relacionados com a família e meio ambiente incluem: conflitos familiares, depressão, abuso de substâncias, pobreza, más práticas parentais, baixo nível de envolvência familiar na educação, baixas expectativas parentais, excessivo consumo de tecnologia (televisão, computador e jogos), reduzida promoção da leitura e, por vezes, o excesso de actividades extracurriculares.

Factores relacionados com a escola incluem: má interacção aluno-professor, turmas com número excessivo de alunos, ano de transição, aumento das exigências das avaliações sem o adequado suporte de ensino, insuficiente preparação dos docentes e elevado absentismo dos mesmos.

O que fazer

Não se deve assumir desde o início que a dificuldade em aprender se deve exclusivamente à falta de empenho. É importante procurar as causas que estão na sua origem e para isso os familiares devem procurar informações / ajuda junto da escola / professores e profissionais de saúde.

Tratamento

O seguimento e acompanhamento variam com as patologias ou condições identificadas. As crianças devem ser avaliadas no sentido de identificar a necessidade de programas de apoio pedagógico individualizados.

A disciplina, o reforço positivo, a monitorização das actividades e relações com os pares, as actividades partilhadas e a resolução de problemas familiares são acções importantes no combate ao insucesso escolar.

A família deve motivar e adoptar estratégias na rotina diária que permitam aumentar o sucesso académico.

Evolução / Prognóstico

A evolução e prognóstico variam de acordo com as patologias e factores de risco associados ao insucesso escolar. No entanto, a identificação e actuação precoce podem alterar favoravelmente a evolução.

Prevenção / Recomendações

O diagnóstico precoce e a intervenção específica e rápida aos primeiros sinais de dificuldades de aprendizagem são cruciais no combate ao insucesso escolar.

Familiares, educadores, professores e profissionais de saúde devem estar atentos às competências pré-escolares e ao desenvolvimento psicomotor da criança de forma a identificar sinais de alarme.

As famílias devem ser alertadas para a importância da sua postura face à escola, incentivando as aprendizagens e uma relação saudável da criança com a comunidade escolar.

Saber Mais

  1. Lopes da Silva, I., Marques, L., Mata, L. e Rosa, M. Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar. 2016. Lisboa: ME/DGE.
  2. Rodrigues AM, Canelas AM et al. Estado da Educação 2017. Conselho Nacional de Educação. Edição 2018.
  3. Guardiano M. Perturbação da Aprendizagem Específica. Pedipedia online 2018. Disponível em: http://www.pedipedia.org/pro/artigo-profissional/perturbacao-da-aprendizagem-especifica
  4. Guardiano M, Candeias L et al. Perfil Neuropsicológico em Crianças com Perturbação de Hiperatividade com Défice de Atenção: Avaliação da Memória de Trabalho. Acta Pediatr Port 2017; 48:229-235
  5. Byrd RS. School Failure: Assessment, Intervention, and Prevention in Primary Pediatric Care. Pediatrics in Review 2005. 26;7
  6. Miguel RR, Rijo D, Lima LN. Fatores de Risco para o Insucesso Escolar: A Relevância das Variáveis Psicológicas e Comportamentais do Aluno. Revista portuguesa de pedagogia 2012; 46-1;127-143

As informações da Pedipedia não substituem nem devem adiar a consulta pessoal com um profissional de saúde qualificado.

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