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Introdução

Definição

Os human papillomavirus (HPV), são vírus que infectam mucosas e pele. Estão descritos genótipos de baixo risco (6, 11) e de alto risco (16, 18, 31).

Frequência

As infecções cutâneas são frequentes e de fácil transmissão. As infecções genitais ou cancro são raros.

Causa

A transmissão pode ocorrer via sexual, perinatal e em 80% das crianças, por contacto pele a pele. A identificação de verrugas genitais não é suficiente para a confirmação do contacto sexual.

80 a 90% das verrugas estão relacionadas com HPV 6 e 11.

Os HPV de alto risco podem ser causa de cancro do colo do útero, vagina, vulva, ânus, pénis e orofaringe.

Sinais e sintomas

A nível cutâneo, a infecção por HPV manifesta-se sob a forma de verrugas. A nível genital, as verrugas ou condilomas acuminados podem ser identificadas ao longo de todo o períneo, mas também na vagina, colo do útero ou canal anal. (Figura 1). Clinicamente podem não dar sintomas ou manifestar comichão, ardor, dor ou hemorragia.

Os HPV podem ainda levar ao desenvolvimento de lesões de baixo grau ou de alto grau do colo do útero, vagina ou canal anal. Apesar do potencial evolutivo para cancro invasivo, tal realidade não se adapta à população pediátrica ou adolescentes imunocompetentes, pois 80 a 90% das lesões regridem. Em adolescentes, a maioria dos serótipos de HPV identificados podem ocorrer sem que seja evidente qualquer tipo de lesão, representando no geral mera contaminação transitória. Em mulheres adultas a identificação de HPV está frequentemente relacionado com a presença de lesão.

O que fazer

A prioridade é prevenir.

São formas de prevenção primária a circuncisão, coitarca não precoce, o uso de preservativo, número reduzido de parceiros, não fumar e por fim, aquela que terá maior impacto, a vacinação. Existem três vacinas, a Gardasil®, que induz imunidade contra HPV 6/11/16/18, a Cervarix® (HPV16/18) e a mais recente Gardasil-9® (HPV6/11/16/18/31/33/45/52/58). São seguras, eficazes e sem propriedades terapêuticas.

Apesar da vacinação, é necessário manter o rastreio do cancro do colo do útero com citologia (prevenção secundária), com inicio aos 25 anos e periocidade 3/3anos.

Tratamento

A grande maioria das verrugas regridem espontaneamente, sendo o tratamento reservado para doentes sintomáticos, assintomáticos mas com lesões persistentes (duração superior a 2 anos), imunodeprimidos ou ainda por motivos estéticos ou de ansiedade. Perante a necessidade de tratar lesões condilomatosas, a opção terapêutica é fortemente influenciada pela tolerância da própria criança. A primeira linha é geralmente o tratamento médico.

São vários os tratamentos disponíveis, os quais poderão ser aplicados pelo cuidador ou apenas pelo médico assistente. As opções podem ser aplicações tópicas de cremes imunossupressores (ex:. imiquimod ou podofilotoxina) ou tratamentos destrutivos/cirúrgicos.

A identificação de acido desoxirribonucleico (ADN) de HPV não implica tratamento, pois pode ser representante de lesão transitória sem potencial evolutivo.

Quando há desenvolvimento de lesões intra-epiteliais do colo em jovens o tratamento não é recomendado, sendo a prioridade uma atitude expectante, pois 90% resolvem ao fim de 1 a 2 anos.

Evolução / Prognóstico

50% das verrugas recidivam, sendo a opção correta repetir o mesmo tratamento e não conjugar outros, pois o risco de complicações é maior.

Existem poucos casos descritos de neoplasias genitais por infeções HPV em crianças. Em adolescentes sexualmente activas é possível identificar lesões de alto grau, que na sua maioria regridem sem deixar sequelas.

Actualmente não existem dados suficientes que comprovem que uma criança exposta a infeção por HPV de alto risco, possa vir a desenvolver um cancro enquanto adulto.

Prevenção / Recomendações

É fortemente recomendada a vacinação. Em 2008 que a Gardasil® passou a fazer parte do plano nacional de vacinação (em Portugal), sendo administrada a meninas com 13 anos. Actualmente, desde Janeiro de 2017 a vacina tetravalente foi substituída pela nonavalente, passando a ser administrada a meninas com 10 anos de idade em esquema de duas doses (0 e 6 meses).

Perante antecedentes de alterações citológicas, verrugas ou outras infecções por HPV não há qualquer contraindicação à vacinação. A eficácia esperada não é a mesma, no entanto, esta medida é considerada como custo-eficaz, não havendo por isso limite de idade. Nesta população são ainda aconselhadas as três doses.

As informações da Pedipedia não substituem nem devem adiar a consulta pessoal com um profissional de saúde qualificado.

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