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Introdução

Definição

A hemorragia vaginal na infância, após os primeiros 10 dias de vida e até à puberdade, é um achado anormal e deve ser investigado. Na maioria dos casos consegue-se perceber a causa apenas pela história clínica e pela observação da criança. Em casos mais raros poderá ser necessário recorrer a exames complementares de diagnóstico.

Causa

As causas de hemorragia vaginal na criança são diferentes das encontradas na adolescente e mulher adulta. As mais frequentes são:

  • Infecção vaginal: habitualmente aparece no contexto de corrimento vaginal e pode existir também vermelhidão e ardor externo, no períneo e vulva. Na criança a pele desta zona é muito frágil e apenas a inflamação causada pela infeção pode causar hemorragia, principalmente se associada à fricção pela roupa apertada ou se a criança se coçar (ver “vulvovaginite na infância e adolescência”).
  • Traumatismo genital: os traumatismos genitais mais frequentes na infânica são causados por quedas com cavalgamento (ex: bicicleta, cair sobre a borda da banheira ou grades da cama, baloiços...) e na maioria dos casos as feridas são superficiais e a hemorragia é auto-limitada (ver “traumatismos genitais na infância”).
  • Corpo estranho vagina: por exemplo, pedaços de papel higiénico ou algum brinquedo pequeno que a criança possa ter inserido na vagina. De suspeitar quando a criança apresenta hemorragia vaginal e corrimento abundante com mau cheiro que não passou com o tratamento antibiótico.
  • Prolapso uretral: afecta a porção distal da uretra (canal de saída da urina pela bexiga) e o meato ueretral (orifício por onde sai a urina e que está localizado logo acima da entrada da vagina). Normalmente aparece como uma massa anelar em forma de donut, vermelha ou arroxeada. A criança queixa-se de desconforto, ardor e dificuldade em urinar, para além da hemorragia. Em casos raros a criança pode deixar de conseguir urinar.
  • Dermatoses (doenças de pele):
    • Líquen escleroso – doença de causa desconhecida e que se manifesta por uma área esbranquiçada em forma de 8 na parte exterior, no períneo e vulva, e que dá comichão na maioria dos casos. Pode ter pontos avermelhados e arroxeados e áreas sangrantes. A pele nesta zona é muito frágil de modo que pode sangrar com actividades diárias tão simples como a limpeza com papel higiénico ou fricção pela roupa. É uma doença crónica que aparece e desaparece. Por vezes na adolescência desaparece de vez.
    • Eczema atópico – lesões avermelhadas e bem delimitadas que dão comichão e sangram facilmente com traumatismos ligeiros. Normalmente a criança apresenta lesões semelhantes dispersas pelo corpo.

Outras causas menos comuns de hemorragia vaginal na infância são os tumores genitais (ver “tumores genitais na infância”), puberdade precoce (ver “puberdade precoce”, condilomas genitais (lesões rosadas ou cor da pele com aspecto de verruga ou mancha de superfície lisa. As que mais frequentemente sangram são as localizadas à entrada da vagina. A resolução espontânea ocorre em 50% dos caos em 5 anos), e o hipotoridismo. 

O que fazer

Na presença de hemorragia vaginal na criança, deve-se sempre procurar aconselhamento médico, idealmente através de consulta. Aqui o médico vai sempre efectuar o exame genital. Este pode fazer-se com a criança em varias posições diferentes. A mais confortável e mais bem tolerada pelas crianças mais pequenas é a posição de batráquio ao colo da mãe ou na marquesa (pernas dobradas com joelhos afastados e com a junção das palmas dos pés), mas que permite apenas a visualização do períneo, vulva e entrada da vagina. Para se inspeccionar um pouco mais dentro da vagina deve observar-se a criança numa das seguintes posições: de gatas com os cotovelos apoiados na marquesa ou de barriga para cima com os joelhos encostados ao peito. Em qualquer uma das três posições o exame genital implica o afastamento das nádegas e dos grandes lábios, exercendo nestes pressão para fora e para baixo. Quando se consegue observar um corpo estranho pode-se irrigar a vagina com soro quente (introduzido na vagina através de uma sonda), arrastando assim o corpo estranho para fora. É um procedimento habitualmente bem tolerado na criança mais velha. Desta forma são diagnosticadas as principais causas de hemorragia vaginal não sendo necessários exames adicionais. Por vezes pode ser necessária a visualização de toda a extensão da vagina, que é feita com o auxílio de uma câmara e sob anestesia geral.

Deve-se recorrer imediatamente ao serviço de urgência no caso de feridas vaginais com hemorragia abundante; quando após a queda hà formação de hematoma que causa dor ou desconforto grande; casos em que a criança deixou de conseguir urinar, seja após uma queda ou no caso de se observar uma massa anelar à entrada da vagina.

Tratamento

O tratamento depende da causa que está por trás da hemorragia.

No caso da vulovaginite muitas vezes basta uma higiene adequada com utilização de produtos emolientes não abrasivos e evitar roupa apertada. Por vezes pode ser necessário antibiótico.

No caso do corpo estranho a simples remoção do mesmo pode ser suficiente.

Nos traumatismos ligeiros com hemorragia autolimitada e hematomas de pequenas dimensões que não causam dificuldade em urinar o tratamento passa pela aplicação de gelo, medicamentos para as dores e repouso. Em casos mais graves, com hemorragia activa abundante ou hematomas de grandes dimensões, pode ser necessária cirurgia.

Prolapso uretral: o tratamento habitual consiste em banhos de assento e aplicação de um creme com estrogénio 2x por dia até à resolução do prolapso que pode demorar até 4-6 semanas.

Dermatoses: aplicação diária de um creme com cortisona (prescrito pelo médico) até ao desaparecimento das lesões. 

Prevenção / Recomendações

Como meios de prevenção recomenda-se uma higiene adequada com produtos emolientes e não abrasivos, utilização de roupa interior de algodão e não utilização de roupa muito apertada. Ter cuidado, nas crianças mais novas, com o acesso a brinquedos de pequenas dimensões e, nas mais velhas, ensinar que a limpeza da vulva se faz de frente para trás e ter cuidado para não deixar pedaços de papel higiénico agarrados.

As informações da Pedipedia não substituem nem devem adiar a consulta pessoal com um profissional de saúde qualificado.

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