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Introdução

Definição

A fusão dos pequenos lábios, é, tal como o nome indica uma junção dos pequenos lábios ao nível da entrada da vagina. Geralmente esta junção afeta apenas uma porção dos pequenos lábios e na zona mais perto do ânus. No entanto, em alguns casos a fusão pode envolver toda a extensão dos lábios até tapar a entrada da vagina e o meato uretral (orifício por onde sai a urina).

Frequência

Afeta cerca de 0,6 a 5% das crianças do sexo feminino, principalmente dos 3 meses aos 6 anos e com pico de incidência dos 13 aos 23 meses.

Causa

A principal causa é o baixo nível de estrogénios, normais em crianças antes da puberdade, associado a uma irritação/inflamação dos pequenos lábios. Esta irritação pode ser causada por higiene deficiente, utilização de sabão ou gel de banho inapropriados para criança ou para a zona genital, lavagem genital muito vigorosa, infeções, traumatismos, doenças gerais ou de pele que levem a uma maior predisposição para a fusão dos pequenos lábios.

Sinais e sintomas

Habitualmente não há sintomas e a fusão é descoberta pelos pais ou pelo médico em observação de rotina. Quando existem sintomas os mais comuns são as queixas urinarias tais como dificuldade ou dor ao urinar, sensação de acumulação de urina na vagina e perda de urina involuntária quando a criança se levanta após urinar. Pode existir também dor ou ardor na vulva e vagina e corrimento. Por vezes podem ocorrer infeções urinárias de repetição. Nos casos mais graves (muito raros) pode ocorrer comprometimento sério da saída de urina podendo a criança deixar de conseguir urinar.

O que fazer

Quando detetada pelos cuidadores estes devem procurar aconselhamento médico em consulta, não sendo necessária a ida à urgência. Se a criança não conseguir urinar deve então ser observada com urgência.

Tratamento

Doentes sem sintomas:

Atenção à higiene genital, lavagem diária, evitar produtos não adequados para crianças ou para a zona genital e evitar esfregar a zona genital com força ou esponjas agressivas. Com estas medidas 80% dos casos resolvem em um ano e quase todos quando a criança entra na puberdade

Doentes com sintomas:

O tratamento de primeira linha consiste na aplicação de cremes ou pomadas, idealmente apenas no local da junção dos pequenos lábios e se a criança tolerar exercer ao mesmo tempo uma ligeira pressão para baixo e para dentro para facilitar a separação. Existem dois tipos de creme que têm taxas de sucesso semelhantes e a decisão de qual aplicar cabe ao médico:

  • Creme de estrogénio:

Aplicação 1 a 2 vezes por dia, 2 a 6 semanas ou até à separação dos pequenos lábios. Deve ser aplicado com o dedo ou um cotonete.

Os efeitos secundários são raros e incluem vermelhidão e escurecimento de pele, ligeiro aumento mamário e hemorragia vaginal escassa (os últimos dois mais raros). Estes efeitos são transitórios e desaparecem após a descontinuação da terapêutica.

  • Betametasona 0,05% tópica:

Aplicação 2 vezes por dia, 4 a 6 semanas. Deve ser aplicado com o dedo ou um cotonete.

Devem evitar-se tratamentos superiores a 3 meses.

Pode ser utilizado como primeiro tratamento único ou em associação ao estrogénio, ou como segunda hipótese caso o creme de estrogénio não tenha funcionado.

Efeitos secundários mais comuns e transitórios são a vermelhidão, ardor e comichão locais, pele mais fina e aparecimento de pequenos pêlos finos.

Quando a fusão compromete muito a saída de urina, quando a junção é muito espessa ou quando não houve sucesso com o tratamento médico deve-se efectuar-se então a separação manual. Esta deve ser feita por clínicos especializados e sob anestesia local ou geral, dependendo da colaboração da criança. Nunca deve ser tentada em casa pelos cuidadores pela dor excessiva e possível trauma causado à criança.

Evolução / Prognóstico

A recorrência da fusão não é rara (cerca de 7 a 55% dos casos) e o seu tratamento é semelhante ao descrito acima.

Prevenção / Recomendações

  • Boa higiene genital, lavagem diária, evitar produtos não adequados para crianças ou para a zona genital e evitar esfregar a zona genital com força ou esponjas agressivas.
  • Tratamento atempado de infeções e traumatismos.
  • Tentar limitar o uso de fraldas e promover a deambulação que permite uma separação fisiológica dos pequenos lábios e assim diminuir o risco de nova fusão
  • Utilização de um emoliente suave (por exemplo um creme muda fraldas) durante vários meses após a separação, seja médica ou cirúrgica,  pode facilitar a cicatrização e evitar a recorrência.

As informações da Pedipedia não substituem nem devem adiar a consulta pessoal com um profissional de saúde qualificado.

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