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Introdução

Definição

Os maus tratos em crianças e jovens dizem respeito a qualquer acção ou omissão não acidental, perpetrada pelos pais, cuidadores ou outrem, que ameace a sua segurança, dignidade e desenvolvimento.

Falamos de maus tratos físicos na presença de uma qualquer acção não acidental que provoque dano físico, infligida por alguém com responsabilidade face à criança ou jovem. São exemplos de maus tratos físicos:

  • Dar palmadas
  • Esmurrar e pontapear
  • Bater com cinto ou outros objectos
  • Abanar ou sacudir
  • Apertar, prender e amordaçar
  • Morder e queimar
  • Utilizar o castigo físico para repreender e punir

Frequência

A verdadeira frequência dos maus tratos físicos é difícil de estabelecer por se tratar dum fenómeno muitas vezes escondido.

Algumas formas de maus tratos são ainda culturalmente aceites na nossa sociedade ou nalguns grupos étnicos, o que coloca uma maior dificuldade na sua deteção.

Sinais e sintomas

Alguns sinais, sintomas e/ou indicadores de mau trato físico são:

  • Nódoas negras (hematomas), escoriações, queimaduras, cortes e mordeduras em locais pouco comuns aos causados por acidentes (face, orelhas, boca e pescoço ou na parte proximal das extremidades, genitais e nádegas)
  • Presença de múltiplas lesões ou lesões que não acompanham a idade e desenvolvimento da criança
  • Lesões que deixam marca reconhecível (por exemplo, de fivela, corda, mãos, chicote, régua…)
  • Sequelas de traumatismos antigos (calos ósseos resultantes de fractura)
  • Criança abanada (sacudida ou chocalhada)
  • Demora na procura de cuidados médicos ou ausência dos mesmos na presença duma lesão grave
  • História inadequada ou recusa em explicar o mecanismo da lesão pela criança ou pelos diferentes cuidadores
  • Perturbações do desenvolvimento e do crescimento (peso, estatura, linguagem, …)
  • Alterações graves do estado nutricional

A presença destas alterações é pouco específica, pelo que outras causas devem ser tidas em consideração na avaliação da criança.

O que fazer

Numa situação grave ou que ponha em risco a vida da criança, a prioridade será procurar os cuidados médicos necessários para estabilizar e tratar. Em situações de menor gravidade a avaliação num Serviço de Saúde pode ser desejável para avaliar a extensão das lesões e para sua documentação.

É importante ainda ter em conta que será necessária a proteção da criança ou jovem, afastando-a do perigo existente. Para tal poderá ser necessario o contacto com as autoridades policiais, sociais (Comissão de Proteção de Crianças e Jovens ou outros) ou ainda nos Serviços de Saúde (Centro de Saúde ou Hospital).

Tratamento

O tratamento das lesões de violência física é semelhante ao das restantes lesões causadas por traumatismos, pelo que a consulta a um Serviço de Saúde é recomendada. Nalgumas ocasiões será necessária a intervenção de especialidade como ortopedia, cirurgia pediátrica ou plástica, oftalmologia ou outras. Apenas em situações de maior gravidade clínica poderá ser necessário o internamento da criança.

Evolução / Prognóstico

O impacto dos maus tratos físicos é diferente de criança para criança. Sabe-se que passar por experiências adversas na infância pode contribuir para muitas doenças do adulto, e mais frequentemente as crianças vítimas de abuso apresentam doenças crónicas ou problemas de saúde mental.

As crianças e adolescentes abusados têm maior risco de alterações do comportamento, depressão ou baixo rendimento escolar.

Por outro lado, em situações de maior gravidade, como por exemplo na criança abanada, poderam ocorrer sequelas físicas / neurológicas permanentes.

Prevenção / Recomendações

A prevenção dos maus tratos no seio da familia passa pela adopção de modelos de parentalidade não baseados no castigo físico, pela ausência de um ambiente violento no núcleo familiar, assim como pela criação e fortalecimento de uma rede familiar e social que permitam uma melhor integração da criança na sociedade facilitando assim o seu normal desenvolvimento.

As informações da Pedipedia não substituem nem devem adiar a consulta pessoal com um profissional de saúde qualificado.

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