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Introdução

Definição

A contracepção de emergência (CE) é um tipo de contracepção que inclui um conjunto de métodos – medicamentos ou dispositivo intrauterino – que existem para prevenir o desenvolvimento de gravidez após uma relação sexual sem protecção ou após a falha de um método contraceptivo (esquecimento de pílula, ruptura do preservativo,…). Referimo-nos a contracepção de emergência quando falamos em “pílula do dia seguinte”, por exemplo.

Frequência

Pensa-se que 1 em cada 9 mulheres, ao longo da sua vida reprodutiva, utilize contracepção de emergência.

A contracepção de emergência é uma forma de evitar uma gravidez não desejada que deve ser utilizada ocasionalmente e não como método contraceptivo regular. Não deve, no entanto, ser confundida com os métodos utilizados para induzir o aborto.

Sinais e sintomas

São situações que devem requerer contraceção de emergência, no caso de não se desejar gravidez:

  • Ocorrência de coito vaginal sem uso de contracepção, nos últimos 5 dias (120 horas)
  • Uso incorrecto ou falha do método contraceptivo habitual (e ocorrência de coito vaginal), nos últimos 5 dias (120 horas):
    • Ruptura de preservativo / extravasão de esperma
    • Ausência de toma de 2 pílulas com estrogénio e progestativo, na primeira semana
    • Ausência de toma de 3 ou mais pílulas com estrogénio e progestativo, nas 2ª e 3ª semanas
    • Atraso > 24 horas na toma de pílula apenas de progestativo
    • Atraso de ≥ 2 semanas na toma de injecção (de acetato de medroxiprogesterona)
    • Atraso na colocação, descolamento ou remoção precoce de adesivo transdérmico (> 24 h na 1ª semana ou > 48 h na 2ª e 3ª semanas)
    • Exteriorização de anel vaginal > 3 h, permanência na vagina > 4 semanas
    • Expulsão de dispositivo intra-uterino
    • Deslocação, ruptura ou remoção precoce de diafragma
    • Terapêutica actual ou há menos de 28 dias com medicamentos designados “indutores enzimáticos”, como alguns antiepiléticos, antirretrovirais, antituberculosos ou antifúngicos (se uso exclusivo de contraceptivo oral, anel, adesivo ou implante)

O que fazer

Perante alguma das situações referidas, deve procurar-se um médico ou farmacêutico que possa aconselhar acerca do uso de um método de CE. Em Portugal, os dois principais medicamentos que existem para este fim – “levonogestrel” e “acetato de ulipristal” – estão disponíveis nas farmácias, sendo medicamentos não sujeitos a receita médica. Para além disso, o “levonogestrel” e o “dispositivo intra uterino (DIU)” estão disponíveis gratuitamente nas consultas de Planeamento Familiar dos Centros de Saúde e Serviços de Ginecologia e Obstetrícia do Serviço Nacional de Saúde e nos Centros de Atendimento Jovem.

Para além desta acessibilidade, muitos profissionais recomendam uma estratégia que visa aumentar a adesão e eficácia da CE. Dado que nem sempre os estabelecimentos têm o produto disponível ou nem sempre existe possibilidade (quando é necessário) de adquirir atempadamente estes contraceptivos, recomenda-se a obtenção de um destes métodos antes de ser necessário, quando se trata de uma adolescente/mulher com vida sexual activa e sem desejo de gravidez (ainda que tenha um método contraceptivo de base). A posse de um fármaco de CE permite atingir um dos principais factores que contribuem para a sua eficácia – a toma o mais precoce possível relativamente à relação sexual em causa.  

Na maioria dos casos, não são necessários exames laboratoriais ou observação médica (excepto no caso de ter existido agressão sexual). No caso de estar em causa a utilização de “acetato de ulipristal” ou “DIU de cobre” – o profissional de saúde deve excluir a existência de gravidez através da história clínica, observação ou teste laboratorial.

Tratamento

Existem dois grandes tipos de CE: o DIU de cobre e a CE oral (que inclui o Acetato de Ulipristal e o Levonogestrel).

1. DIU de cobre (intrauterino)  

  • Exige a sua colocação no interior do útero, numa instituição de saúde, por um profissional credenciado
  • Pode ser colocado até 5 dias (120 horas) após a relação sexual
  • É considerado o método mais eficaz como CE

2. Acetato de ulipristal (30 mg, toma única)

  • Não sujeito a receita médica
  • Pode ser tomado até 5 dias (120 horas) após a relação sexual
  • É o tipo de CE oral mais eficaz, com poucos efeitos secundários

3. Levonogestrel (1,5 mg, toma única)

  • Não sujeito a receita médica
  • Pode ser tomado até 3 dias (72 horas) após a relação sexual
  • Eficaz, com poucos efeitos secundários

Existe ainda uma alternativa que, por ser menos eficaz e com mais efeitos secundários, deve ser reservada para o caso de não se ter acesso a um destes tipos de CE. Passa pela toma de contracepção oral combinada (pílula), numa dose e frequência específica: habitualmente um esquema de 4 + 4 comprimidos, com 12 horas de intervalo (1 dia), de forma a atingir um total de 100-120 mcg de Etinilestradiol e 0,50-0,60 mg de Levonogestrel ou 1,0-1,2 mg de Norgestrel. Pode ser tomado até 5 dias (120 horas) após a relação sexual.

Evolução / Prognóstico

A eficácia destes métodos varia muito, consoante:

  • Altura do ciclo em que ocorreu a relação sexual (maior probabilidade de gravidez se 1-2 dias antes da ovulação)
  • Quanto tempo passou até à toma da contracepção de emergência
  • Qual o tipo de contraceção de emergência

De um modo geral, usar um método de CE diminui em pelo menos 50% a probabilidade de gravidez.

Estes medicamentos estão associados a poucos efeitos secundários, sendo os mais frequentes as náuseas e os vómitos. Se houver vómito menos de 2 horas após a toma, pode ser necessário tomar um antiemético e repetir a toma da contracepção de emergência.

A CE oral (acetato de ulipristal ou levonogestrel, em toma única) pode ser usada, mesmo em jovens que não podem tomar alguns tipos de pílulas. Este facto não se aplica ao esquema alternativo com recurso a doses mais altas da pílula (contracepção oral combinada), que não deve ser usado por jovens que não podem tomar este tipo de pílula.

Prevenção / Recomendações

Apesar de não se conhecer nenhum risco particular para a saúde, associado à repetição da toma de CE, esta não deve ser considerada um método contraceptivo de base. Por isso, é imprescindível retomar um contraceptivo desde logo. O risco de gravidez existe se houver nova relação sexual desprotegida após a toma de CE.

Se o método contraceptivo for: a pílula, o anel vaginal ou o adesivo transdérmico – deve começar-se/aplicar-se no dia seguinte e usar-se um método de barreira (preservativo) nos primeiros 7 dias. Se a CE foi feita com o acetato de ulipristal estes métodos contraceptivos devem ser começados apenas 5 dias após a toma dessa CE e deve ser usado um método de barreira (preservativo) nos primeiros 7 dias.

A menstruação poderá ter uma variação de cerca de uma semana (antes ou após) a data habitual. No entanto, se a menstruação não ocorrer 3 a 4 semanas após a toma da CE deve sempre ser feito um teste de gravidez. Se este for negativo e mesmo que a menstruação não ocorra deve continuar a fazer-se o método contraceptivo como suposto (reiniciar a pílula, colocar novo adesivo ou anel vaginal após o período de pausa). Se a ausência de menstruação se repetir deve procurar-se orientação médica.

As informações da Pedipedia não substituem nem devem adiar a consulta pessoal com um profissional de saúde qualificado.

Mais informações.

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