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Introdução

Definição

O comportamento consiste no conjunto de acções, reacções ou actividades motoras observáveis, como resposta aos estímulos internos e externos. É a expressão da acção, resultante da interacção de diversos fatores internos e externos que a criança experimenta, de que são exemplo a personalidade, meio cultural, expectativas (família e sociedade), experiências pessoais e sociais. É a acção/reacção da criança na sua interacção com o meio.

O temperamento é o conjunto de características individuais, de base biológica e componente genética provável, que influenciam o humor e as emoções da criança condicionando a forma como se confronta e reage a situações variadas como o comportamento e emoções, de que são exemplo a satisfação, medo, tristeza, frustração, etc.

Frequência

Normalmente, surge a partir dos 18 meses, pode durar até aos 3 - 4 anos de idade e é uma inevitabilidade, pois constitui uma fase de autonomização dos pais, ao compreender que é pessoa no sentido filosófico da palavra, pensa, tem desejos e opiniões próprias o que a leva a afirmar-se perante o outro, tenta impor as suas decisões e escolhas aos pais (estou aqui, quero isto e não quero o que os outros esperam de mim!), embora tenha ainda grandes dificuldades em exercer a sua autonomia, o que a deixa frustrada e zangada.

Causa

É intrínseca ao normal neurodesenvolvimento da criança e é uma iniciação da sua afirmação como pessoa.

Sinais e sintomas

Os espasmos do soluço, mentira, impulsividade,  e birras são considerados normais entre os 2 - 4 anos e são devidos a uma necessidade de afirmação e autonomia relativamente a figuras de autoridade.

Uma das maiores preocupações dos pais é a fase das birras, em que a criança passa de uma fase passiva para uma mais  activa e apresenta um comportamento opositivo quase sistemático, face às solicitações dos pais: não colabora nos pedidos e está sempre do contra.  A criança, outrora obediente e tranquila passa a recusar, reclamar e reagir negativamente perante qualquer contrariedade. Bate, debate-se, atira o que estiver à mão, chora, diz não a tudo, resiste em seguir qualquer orientação ou a acatar tranquilamente as decisões dos pais, em situações tão simples e frequentes como mudar de roupa, sair de um local ou guardar um brinquedo.

O que fazer

Ignorar a birra é uma excelente forma de lidar com esta situação, mas nem sempre os pais conseguem pô-la em prática. Se assim for e sobretudo em lugares públicos, se a birra persistir os pais ou cuidadores devem retirar a criança do ambiente ou contexto em que se encontra, sem demonstrar irritação e sem diálogo. Esta  atitude mostrará desaprovação.

Existem formas adequadas que se pautam pela consistência, consonância e firmeza das respostas das figuras de afeto e autoridade (pais, avós, cuidadores).

Um bom exemplo é manter a calma e não valorizar excessivamente a recusa ou oposição da criança, desviando  a sua atenção  para outra foco. Mostrar um objeto,  falar de outro assunto ou simplesmente propor outra atividade são algumas das estratégias.

Se por exemplo a família vai passear ou às compras  uma boa estratégia é explicar o motivo e contexto sobre o passeio ou ida às compras. Se for ao supermercado,  devem- -lhe ser comunicadas as normais expectativas relativamente ao comportamento, estabelecidos limites bem definidos, nomeadamente o que poderá ou não pedir e eventualmente ter. No caso de uma ida a um restaurante, o procedimento deve ser idêntico, explicando aonde vão e com quem e como espera que a criança se comporte. Os pais jamais devem ceder a manipulações, como o choro, pedido de ajuda e queixas de possíveis desconfortos só devem conversar depois de ela se acalmar. Opte por disciplinar a criança após a birra, que é o momento em que ela está exprimindo a sua frustração e descontentamento e pouco recetiva ao diálogo. Após a birra, é altura de conversar e explicar o porquê da sua acção porque é fundamental que a criança compreenda o que fez e o porquê . Evite  repreendê-la em frente de outras pessoas ou pares, para que não se sinta constrangida ou humilhada.

Se a criança agredir alguém,  deve ser contida imediatamente e, em seguida, os pais devem colocar-se ao nível da criança, fixar o seu olhar e com voz firme dizerem-lhe que por muitas razões que a assistam, a sua atitude é inaceitável. Estabeleça limites e avise a eventualidade de possíveis sanções  (que excluem os castigos físicos), tendo em mente que estas deverão ser exequíveis, se a criança repetir o comportamento desaprovado.

Face a comportamentos de autoagressão (bater com a cabeça no chão ou parede, arranhar-se ou puxar pelos cabelos ou colocar-se em situação de risco), estes constituem também uma chamada de atenção, com componente de chantagem emocional, aos quais os pais devem firmemente resistir, contendo a  criança (por exemplo colocando um travesseiro ou uma almofada por baixo da cabeça,  ou retirando--a do local onde está, para um ambiente mais seguro, sem demonstrar preocupação ou sensibilidade à dor autoinfligida. Deve também afastar-se para outra divisão, uma vez que sem auditório, não há lugar a espectáculo e a criança perceberá rapidamente que de nada lhe serve o seu comportamento.

Por vezes, ao não conseguir os seus objetivos de chamada de atenção, a criança opta por comportamento de provocação ou confronto como apagar e acender a luz, ligar e desligar equipamentos eletrônicos etc. os quais devem ser igualmente ignorados.

Se a criança começar a apresentar comportamentos autodestrutivos frequentes em situações quotidianas, deverá consultar um pedopsiquiatra porque tal facto poderá indiciar uma tentativa da criança de evitar o contato com algo que lhe esteja a causar angústia.

Evolução / Prognóstico

O  prognóstico é bom, desde que os pais sejam assertivos, consistentes e previsíveis na sua forma de lidar com a criança.

Prevenção / Recomendações

A  forma mais eficiente de prevenir os comportamentos menos adequados é a antecipação de situações potencialmente geradoras. Os pais devem explicar o que vai acontecer (passeio, jantar ou festa de anos com amigos, visita a familiares ou amigos, etc), o que esperam da criança e a razão do seu procedimento de forma adequada à sua idade e compreensão

As informações da Pedipedia não substituem nem devem adiar a consulta pessoal com um profissional de saúde qualificado.

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