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Introdução

Definição

A catarata é uma opacificação do cristalino (lente natural do olho). Pode aparecer em qualquer idade e quando surge no primeiro ano de vida classifica-se como congénita.

Figura 1 Anatomia do olho, adaptado de National Eye Institute

Frequência

Tem uma prevalência estimada de 3 a 6 crianças em 10,000 nascimentos. Pode ser bilateral, correspondendo a 2/3 das crianças, ou unilateral.

Causa

Em cerca de 60% das cataratas congénitas não se identifica uma causa. As causas possíveis para estas cataratas são as alterações genéticas (causa mais frequente), bem como doenças metabólicas, cromossomopatias e outras síndromes genéticas, infecções intra-uterinas e anomalias oculares.

Sinais e sintomas

A catarata congénita não dá sintomas, dado que a criança não consegue reportar a diminuição da visão associada.

Idealmente, a catarata deve ser detectada através do teste do reflexo vermelho quando o recém-nascido é avaliado pelo profissional de saúde. Com este teste, são iluminadas as pupilas de ambos os olhos com o oftalmoscópio directo (Figura 2) e o profissional observa se o reflexo da pupila é vermelho (exame normal, ver Figura 3) ou se tem alterações como sombras, cor branca ou está ausente aquando da iluminação. Uma outra forma de visualizar o reflexo vermelho pode ser através da realização de uma fotografia com flash numa sala escurecida dirigida aos dois olhos da criança.

Se há suspeita de alterações é feita a referenciação para um médico oftalmologista, que irá confirmar ou não a presença de catarata ou de outras doenças oculares.

Figura 2 Teste do reflexo vermelho
Figura 3 Reflexo vermelho normal

Em casos avançados de catarata total, os pais podem notar na criança a existência de um reflexo branco a nível da pupila a olho nu (Figura 4).

Figura 4 Reflexo branco a nível da pupila por catarata avançada

Por vezes a diminuição da visão associada à catarata leva à existência de estrabismo no olho afetado (desvio de um dos olhos) ou nistagmo (tremor dos olhos), que motivam a ida ao médico.

No que respeita à visão, esta tipicamente é difícil de avaliar na criança, mas a ausência de fixação de objectos, a incapacidade em seguir os mesmos com o olhar ou uma reacção negativa desproporcional quando um dos olhos é tapado, são sinais que denotam diminuição da visão e como tal também poderão estar presentes.

O que fazer

Perante os sinais previamente descritos, a criança deve ser consultada por um pediatra, que, confirmando a suspeita de catarata congénita, deverá proceder ao encaminhamento para um oftalmologista, assim que possível, de modo a promover a detecção atempada de catarata.

Tratamento

O tratamento da catarata congénita está dependente da localização e tamanho da opacidade, pelo que nem todas as cataratas vão necessitar de intervenção cirúrgica.

Cataratas que condicionam opacidades pequenas ou periféricas e que permitem uma boa visualização do fundo ocular são compatíveis com o desenvolvimento normal do sistema visual e, como tal, poderão ser vigiadas em consulta, monitorizando o seu crescimento.

Por outro lado, se a catarata é total, se estiver associada a estrabismo ou nistagmo ou, se envolver a porção central / posterior do cristalino e limitar a boa visualização do fundo ocular, existe risco de ausência de desenvolvimento da visão da criança por ausência de estimulação visual do olho afetado levando ao desenvolvimento de ambliopia (olho preguiçoso).

A ambliopia provocada por ausência de estímulo do sistema visual em consequência da presença de catarata desenvolve-se rapidamente, pelo que, em cataratas com as características expostas previamente, o tratamento deverá ser a intervenção cirúrgica precoce, nos primeiros meses de vida.

A cirurgia de catarata congénita, devido a características próprias do olho pediátrico, é diferente da cirurgia do adulto e no período pós-operatório existe uma maior resposta inflamatória e incidência de complicações daí ser necessária monitorização ao longo da vida da criança.

A caminhada de reabilitação visual é um processo longo que exige um grande esforço e paciência da parte de toda a equipa médica e dos pais para que os melhores resultados sejam atingidos. Nas cataratas unilaterais a ambliopia tipicamente instala-se mais rapidamente e o seu tratamento é mais difícil do que nas cataratas bilaterais.

Evolução / Prognóstico

É importante salientar que a cirurgia de catarata congénita é apenas o primeiro passo da reabilitação da visão da criança. Tão importante quanto a intervenção cirúrgica é a realização de uma adequada reabilitação visual com correcção óptica precoce após cirurgia com óculos ou lentes de contacto; tratamento do estrabismo, quando presente; e o tratamento da ambliopia com a oclusão do olho com melhor visão para estimula a visão no olho oposto.

A acuidade visual média atingida dependerá sobretudo de dois factores: da cirurgia no timing acertado, e da adesão ao uso da correcção óptica e ao tratamento com oclusão. O prognóstico é pior para as cataratas unilaterais, dado que a probabilidade de se desenvolver ambliopia é maior.

É de notar que apesar dos avanços tecnológicos, os resultados visuais do tratamento deste tipo de cataratas continuam a ser inferiores aos obtidos à cirurgia da catarata dos adultos, por aparecerem num período sensível do desenvolvimento visual.

Prevenção / Recomendações

A detecção precoce de catarata congénita em recém-nascidos através do teste do reflexo vermelho pupilar é essencial. Assim, a intervenção cirúrgica, caso necessária, tem maior probabilidade de realizar-se atempadamente.

Alterações oculares suspeitas como o reflexo branco na pupila, estrabismo, nistagmo (tremor dos olhos), notar que a criança não fixa ou tem dificuldade em seguir objectos com o olhar, devem motivar referenciação médica prioritária para oftalmologia.

As informações da Pedipedia não substituem nem devem adiar a consulta pessoal com um profissional de saúde qualificado.

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