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Introdução

Definição

Bullying é um termo anglo-saxónico sem tradução direta na língua portuguesa e que é utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica praticados por um indivíduo (o bully, o instigador) ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar, oprimir ou agredir outro indivíduo (ou indivíduos) que mostre incapacidade de se defender. Trata-se de um problema multifatorial com impacto negativo no processo de desenvolvimento e aquisição de identidade do indivíduo.

Frequência

O bullying implica comportamentos de natureza ameaçadora e premeditada de carácter regular e a ocorrência destas situações é, frequentemente, discreta e dissimulada e não decorre na proximidade de figuras de autoridade. Os corredores, escadas, casas de banho, recantos e arredores da escola são os locais mais escolhidos pelos bullies. A sala de aula é a menos indicada, mas estima-se que o professor apenas se aperceba de 5 a 7% das situações ocorridas dentro da mesma. O bullying pode ser dividido em dois tipos: direto e indireto. O primeiro remete para uma provocação física e é mais utilizado pelos rapazes, como empurrar, bater, destruir pertences e extorquir dinheiro ou outros bens. O segundo é o tipo mais frequente, sendo este baseado nos insultos verbais e agressões sociais, como excluir de atividades de convívio, difamar e fazer comentários depreciativos sobre a aparência pessoal. Esta forma bullying é também mais comum nas raparigas.

Causa

A principal causa desta forma específica de violência é psicológica. Geralmente, as vítimas manifestam baixa autoestima e têm dificuldades em estabelecer relações interpessoais com os pares, apresentam uma aparência física mais frágil do que a dos seus pares e são muito protegidos pelos pais (principalmente pelas mães). Os bullies, por sua vez, caracterizam-se sobretudo pela falta de empatia e interesse pelo outro. Demonstram uma forte necessidade de controlo e parecem retirar satisfação no sofrimento dos outros. São, geralmente, jovens com sérios problemas emocionais e/ou de aprendizagem, que podem ter repercussões negativas nas suas vidas, nomeadamente, depressões ou ataques de culpabilidade. Os pais dos agressores e das vítimas não sabem o que se passa e é isto que torna a situação duradoura e problemática.

Sinais e sintomas

A identificação desta forma de violência por parte dos familiares e da comunidade escolar pode ser difícil dado que a vítima teme denunciar os seus agressores, com medo de sofrer represálias e por vergonha de admitir que está a passar por situações humilhantes. Os agressores vivem do silêncio e do terror que impõem às suas vítimas e as testemunhas também alimentam esta situação por receio de se transformarem na próxima vítima.

Segundo o cientista norueguês Dan Owelus (pioneiro no estudo deste problema) para identificar a presença do bullying são considerados os seguintes critérios:

  1. O comportamento tem o objetivo de provocar mal-estar e ganhar o controlo sobre a outra pessoa, isto é, ocorre num relacionamento onde há um desequilíbrio de poder, onde geralmente, os agressores veem as suas vítimas como um alvo fácil.
  2. A agressão é executada repetidamente, não se trata de um acontecimento ocasional e não ocorre na resposta a uma provocação.

O que fazer

Em primeiro lugar os cuidadores devem estar atentos aos sinais de alerta como verificar se há um rápido desinteresse da criança/jovem pela escola e piores resultados escolares; se sai regularmente zangado ou deprimido das aulas; se há uma mudança súbita no percurso casa - escola; se começa a afastar-se da família e a deixar de falar das atividades diárias; se rasga ou perde roupa com frequência; se fica triste ou apavorado quando recebe uma chamada ou consulta correio eletrónico/redes sociais; se apresenta comportamentos desadequados à sua personalidade; se tem indisposições (dores de cabeça, ataques de pânico, dificuldade em dormir); se está permanentemente exausto; se brinca sozinho ou procura estar sempre na presença de adultos.

Os cuidadores devem evitar incentivar a vítima a desvalorizar o que aconteceu ou a fazer de conta que não é incomodado com as agressões, pois isto pode levar a vítima a sentir-se um fracasso e a culpabilizar-se. Os cuidadores devem vigiar com atenção e intervir no sentido de fazer parar o comportamento de quem atormenta a criança/jovem sem se tornarem hiper-protetores. Conversar com a vítima esclarecendo que é natural sentir medo e vergonha, mas que deve ser capaz de falar sobre o que está a acontecer e caso necessário recorrer a um acompanhamento psicológico para que possa ajudar a criança/jovem a lidar com suas fragilidades para que não se torne um estigma e um motivo de vergonha.

Tratamento

A intervenção nestes casos também passa pela atuação daquele que é considerado o terceiro interveniente. Neste fenómeno estão habitualmente envolvidos, o bully e a vítima, mas são as testemunhas (bystanders, segundo a designação inglesa) que podem desde o primeiro episódio travar a ocorrência de bullying. As testemunhas são geralmente constituídas pelos pares e é a sua passividade de espectador que, de certa forma, dá mais força e controlo ao bully, pois estes assistem às ameaças e às situações de humilhação e acabam por não agir receando também represálias. Desta forma, deve-se apostar na criação e reforço de regras de convivência, esclarecendo a responsabilidade de cada um (mesmo dos que só observam), e no aumento de vigilância (pelos próprios pares) dos locais mais propensos a este tipo de comportamentos (ou seja, lugares mais escondidos). Nos casos mais problemáticos e de avançada durabilidade de sofrimento psicológico deve recorrer a um especialista.

Evolução / Prognóstico

Se os comportamentos de bullying não forem logo detetados podem ter efeitos a longo prazo nas vítimas e nos bullies. As vítimas podem desenvolver baixa autoestima, insegurança, ansiedade, isolamento social, medos/fobias, insucesso/abandono escolar, insónias, enurese, desordens alimentares, mudanças repentinas de humor, até alguns sintomas físicos como dores de cabeça, de estômago, desmaios e vómitos. Em casos extremos, as vítimas podem cometer suicídio a fim de terminar com a intimidação contínua. Por outro lado, os bullies se não forem travados apresentam maior risco no uso ilegal de drogas e outros comportamentos antissociais que os envolvam no sistema criminal da justiça.

Prevenção / Recomendações

Implementar uma política anti-bullying nas escolas mobilizando toda a comunidade: informar e consciencializar professores, funcionários, alunos e pais.

Saber Mais

https://www.amnistia.pt/projeto-stop-bullying/

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