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Introdução

Definição

O crescimento consiste no aumento do número e volume das células com consequente aumento de volume e tamanho dos tecidos e órgãos. Em termos práticos crescer é aumentar de tamanho e peso.

Crescimento normal

É um processo complexo e multifatorial, influenciado por vários fatores, nomeadamente genes (herdados pelos pais), alimentação, hormonas e ambiente. Apesar desta influência multifatorial, o padrão normal de crescimento é previsível, existindo períodos em que se nota um crescimento mais acentuado e outros que se cresce mais devagar. Por exemplo, o primeiro ano de vida e a adolescência são as duas fases de crescimento mais acelerado.

O padrão de crescimento é de tal forma previsível que existem curvas pré definidas,  que permitem avaliar o crescimento do seu filho. Podem ser utilizadas várias curvas para avaliação do crescimento, sendo as curvas da Organização Mundial de Saúde (OMS) as atualmente recomendadas em Portugal. A titulo ilustrativo, no exemplo 1 da figura 1, estão representadas as medições seriadas da altura de uma menina dos 2 aos 5 anos de idade. Após a sua análise, podemos concluir que o seu crescimento decorreu de forma harmoniosa, sempre no mesmo canal de percentil (entre o percentil 50 e 85). Podemos ainda observar que a criança aos 3 anos de idade media 95 cm e situava-se no percentil 50. Situar-se no percentil 50 significa que 50% das meninas com 3 anos de idade medem 95 cm.

Assim se percebe que é de extrema importância a realização das consultas de saúde infantil e juvenil nas idades recomendadas, para que se possa fazer a avaliação do crescimento e o seu registo nas respetivas curvas.

Baixa estatura

A baixa estatura é definida como estatura inferior ao percentil 3 (P3), para a idade e sexo em relação a uma população de referência (exemplo 2 da figura 1). Situar-se abaixo do percentil 3 significa que apenas 3% das crianças saudáveis tem essa altura, aumentando, portanto, a probabilidade de se tratar de uma situação patológica. No entanto, mesmo nestas situações a maioria são variantes do normal.

Frequência e causa

A baixa estatura é um motivo frequente de preocupação parental, no entanto a grande maioria dos casos corresponde a variantes da normalidade: baixa estatura familiar e atraso constitucional do crescimento e maturação (ACCM), frequentemente herdadas dos pais.

Menos frequentemente a baixa estatura pode ser causada por doenças gastrointestinais (ex. doença celíaca, doença inflamatória intestinal, fibrose quistica), doenças genéticas (ex. S. Down, S. Turner), síndromes dismórficos (ex. S. Noonan, S Prader-Willi, S. Silver-Russel), situação de malnutrição (ex. kwashiorkor, marasmo), doenças renais (ex. acidose tubular renal, insuficiência renal crónica), doenças hereditárias do metabolismo, doenças cardíacas, displasias ósseas, doenças endócrinas (ex. défice hormona de crescimento, hipotiroidismo) e também causas psicossociais.

Sinais e sintomas

A baixa estatura pode ser uma manifestação isolada de uma doença subjacente, cuja única alteração identificada é o cruzamento de percentis. A titulo ilustrativo, no exemplo 2 da figura 1 está representado um caso, em que se nota um desvio do padrão de crescimento a partir dos 3 anos e meio/4 anos de idade, altura em que o crescimento da criança começa a cruzar percentis, passando do percentil 15 para o percentil inferior a 3. Esta situação é considerada anormal, obrigando a investigação.

No entanto, dependendo da causa da baixa estatura, podem existir outras queixas associadas a uma doença que ainda não tenha sido diagnosticada.

Curvas de crescimento da OMS. Exemplo 1 – padrão de crescimento normal. Exemplo 2 – padrão de crescimento anormal, com baixa estatura em criança com doença celíaca.

O que fazer

Recomenda-se a realização das consultas de saúde infantil e juvenil de acordo com programa nacional de saúde infantil e juvenil. Em todas as consultas deve ser realizada a avaliação do peso e altura de forma sistematizada, com o respetivo registo e interpretação nas curvas de referência. Se notado cruzamento de percentis, a criança deve ser avaliada e deverá ser ponderada a necessidade de investigação.

Tratamento

Nos casos de baixa estatura familiar ou atraso constitucional do crescimento e maturação, não é necessário realizar nenhum tratamento, estando recomendado apenas vigilância clínica em consultas regulares.

Nos casos em que a baixa estatura tem como causa uma doença, o tratamento deve ser orientado para essa doença. Por exemplo, no caso da baixa estatura causada por doença celíaca, o tratamento é a evicção de glúten na dieta.

Existem situações em que está indicado realizar tratamento com hormona de crescimento. Em Portugal são indicações para a sua realização as seguintes situações: casos em que a baixa estatura é causada por um défice de hormona de crescimento; determinadas síndromes que cursam com baixa estatura, como por exemplo Síndrome de Turner e Síndrome de Prader-Willi; insuficiência renal crónica e crianças pequenas para a idade gestacional, sem recuperação do crescimento.

Evolução / Prognóstico

A evolução e prognóstico dependem da causa da baixa estatura. No entanto, como referido anteriormente, 80% dos casos de baixa estatura são casos de baixa estatura familiar ou atraso constitucional do crescimento e maturação, pelo que o prognóstico é favorável. 

As informações da Pedipedia não substituem nem devem adiar a consulta pessoal com um profissional de saúde qualificado.

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