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Introdução

Definição

A Artrite Idiopática Juvenil (AIJ) oligoarticular é uma doença crónica caracterizada por inflamação articular (artrite) de menos de 5 articulações nos primeiros 6 meses de doença. 

Frequência

A AIJ afeta cerca de 1 a 2 em cada 1.000 crianças, sendo a AIJ oligoarticular o subtipo mais frequente, representando quase 50% dos casos. 

Causa

Pensa-se que a AIJ oligoarticular seja consequência de uma resposta anormal do nosso sistema imunitário que perde a capacidade de distinguir o que é "estranho" das células "próprias" do nosso organismo. 

Sinais e sintomas

A artrite tem início geralmente antes dos 6 anos de idade (pico no 2.º e 3.º ano de vida) e é mais frequente no sexo feminino. Afeta preferencialmente grandes articulações dos membros inferiores, como os joelhos e os tornozelos e, por vezes, também punhos e cotovelos, de forma assimétrica. Por vezes apenas uma articulação é afetada (forma monoarticular). As articulações envolvidas estão tipicamente inchadas e quentes, são dolorosas com a mobilização e ao toque e têm limitação da mobilidade.

Sintomas como febre, exantema e outros sintomas sistémicos estão ausentes na AIJ oligoarticular.

A criança típica com AIJ oligoarticular é uma rapariga com 2-3 anos que coxeia ao andar. Por vezes, a família repara que a criança anda de forma estranha de manhã, mas depois ao longo do dia a marcha parece normal. Em muitos casos, a criança não se queixa de dor e é a família que procura avaliação médica porque repara que uma articulação se encontra inchada.

O curso clínico pode ser intermitente com períodos de atividade de doença alternando com fases de remissão clínica, contudo numa minoria de casos é possível uma atividade inflamatória persistente.

A manifestação extra-articular mais importante da AIJ oligoarticular é a inflamação da parte anterior do globo ocular (uveíte anterior crónica) e ocorre com uma frequência aproximada de 12 a 45% dos casos. Na AIJ, a uveíte é uma condição crónica que se desenvolve internamente, sem causar sintomas evidentes, tais como dor ou vermelhidão do olho. Se não for diagnosticada e tratada, a uveíte anterior progride e pode causar lesões muito graves no olho. O diagnóstico precoce desta complicação é, portanto, extremamente importante. Uma vez que o olho não fica vermelho e a criança não se queixa de visão turva, a uveíte anterior pode não ser detetada nem pelos pais nem pelos médicos. Os fatores de risco para o desenvolvimento de uveíte são o início precoce de AIJ e anticorpos antinucleares positivos (ANA).

O que fazer

Se o seu filho tem estes sintomas deve ser observado por um profissional de saúde, sempre que possível um Reumatologista Pediátrico, logo que possível. Serão realizadas análises e outros exames e, se o diagnóstico se confirmar, o seu filho irá iniciar terapêutica adequada.

Tratamento

Não existe nenhum tratamento específico para curar a AIJ. O objetivo do tratamento é aliviar a dor e a rigidez, prevenir danos nas articulações e nos ossos, minimizar deformações e melhorar a mobilidade. Existem algumas recomendações sobre o tratamento, embora este deva ser individualizado para cada criança. A participação dos pais na decisão de tratamento e a adesão ao mesmo são muito importantes. O tratamento baseia-se principalmente na utilização de medicamentos que inibem a inflamação sistémica e/ou articular e em procedimentos de reabilitação que preservem a função da articulação e contribuam para a prevenção de deformações. 

O tratamento é bastante complexo e requer muitas vezes a cooperação de diferentes especialistas (reumatologista pediátrico, fisiatra, terapeuta físico e ocupacional, oftalmologista).

A primeira linha terapêutica na AIJ oligoarticular é a injeção intra-articular de corticóides nas articulações afetadas. O medicamento injetado é uma preparação de corticóides de ação prolongada. O hexacetonido de triancinolona é o preferido devido ao seu efeito prolongado durante meses. A sua absorção na circulação sistémica é mínima. É o tratamento de eleição para a doença oligoarticular. Esta forma de tratamento pode ser repetida várias vezes na mesma articulação. A injeção articular pode ser efetuada com anestesia local ou geral, dependendo da idade da criança, do tipo de articulação e do número de articulações a ser injetadas. Geralmente, não se recomendam mais de 3-4 injeções por ano na mesma articulação. 

Os anti-inflamatórios não esteróides ajudam a controlar os sintomas devidos à inflamação, sendo o naproxeno e o ibuprofeno os mais amplamente utilizados.

Em caso de falência destas terapêuticas, outros fármacos como o metotrexato e os agentes biotecnológicos, nomeadamente anti-TNF. O efeito da maioria dos medicamentos de segunda linha apenas se torna totalmente evidente após várias semanas ou meses de tratamento. 

Os sintomas oculares são controlados com colírios. Contudo, em caso de sintomas persistentes/refratários, pode ser prescrito o tratamento com agentes biotecnológicos. 

Outros tratamentos complementares importantes incluem reabilitação física com exercícios apropriados, assim como, quando indicado, a utilização de talas para as articulações de modo a manter o alinhamento destas numa posição confortável para evitar dor, rigidez, contraturas musculares e deformações das articulações.

Evolução / Prognóstico

O prognóstico depende do diagnóstico e tratamento precoce e da gravidade do quadro. 

Quando a doença permanece limitada a poucas articulações o prognóstico articular é frequentemente bom. Nos doentes em que a doença articular se estende para envolver 5 ou mais articulações (oligoartrite estendida) o prognóstico é pior.

A uveíte, se não tratada, pode ter consequências graves, incluindo cataratas e cegueira. 

As informações da Pedipedia não substituem nem devem adiar a consulta pessoal com um profissional de saúde qualificado.

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