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Introdução

O enfermeiro deverá observar o local de inserção e características da pele e estoma, permeabilidade da sonda, despiste de dificuldades da criança / família / cuidador e reforçar ensinos.

Se a criança tiver idade para compreender a informação, deve ser explicado o procedimento, valorizando a aprendizagem e habilidades adquiridas.

Deverá informar e esclarecer a família / cuidadores acerca da forma como deverá ser efectuado o acompanhamento clínico neste tipo de ostomia e da necessidade desta, dos aspectos positivos e menos positivos, assim como dos riscos que acarreta este tipo de tratamento. Deverá ainda informar sobre as situações em que deverá recorrer á equipa a equipa de saúde.

Os cuidados à criança com gastrostomia deverão ser planeados de forma a dar resposta às necessidades da criança / família / cuidadores, de forma a promover o seu potencial de vida e minimizar os riscos identificados.

Desta forma o processo de educação da criança / família / cuidador, implica a aprendizagem de habilidades que permitam a gestão dos diferentes aspectos relacionados com a gastrostomia, possibilitando uma correcta adaptação à mesma, de modo a garantir a continuidade de cuidados no domicílio de uma forma segura.

Tem como objectivo proporcionar a máxima independência para o auto cuidado e apoiar a criança / família / cuidadores a adaptarem-se às mudanças que surgem após o estoma durante o tempo que for necessário e não apenas no pós-operatório imediato.

Deverá assim, envolver a criança / família / cuidador de forma a este ser capaz de gerir a sua situação de saúde e as alterações que decorrem desta. Deve ser assegurado que após a alta cirúrgica, a criança / família / cuidador adquirem as habilidades mínimas de forma a assegurar o auto cuidado e a gerir de forma autónoma o regime terapêutico.

Muitas vezes estas crianças estão entregues aos cuidados de instituições vocacionadas para cuidar de crianças portadoras de deficiência, ou frequentam escola / creche, pelo que a continuidade de cuidados normalmente necessita que a informação seja alargada, transmitida ou adaptada ao contexto escola / instituição.

Deverá envolver professores e outros técnicos que em cada caso se ache necessário, tendo em conta a especificidade de cada criança / família e o seu estadio de desenvolvimento. Cada caso implica contextos diferentes que deverão ser tidos em conta de forma a dar resposta às necessidades de cada criança / família / cuidador.

Na adolescência torna-se necessário transferir o conjunto de conhecimentos e habilidades para o adolescente tendo em vista a aquisição da sua autonomia.

Recomendações

Recomendações importantes a transmitir às crianças/ pais/ cuidadores

  • Contactar a equipa de saúde se a criança apresentar sinais e sintomas de intolerância alimentar, deslocamento, mau posicionamento ou problemas mecânicos com a sonda, assim como alterações no local do estoma.
  • Quais as complicações mais frequentes, nomeadamente infecção local da pele, obstrução, remoção acidental e migração da sonda.
  • Antes de efectuar cuidados à pele e estoma, higienizar correctamente as mãos e superfície de trabalho, com água quente e sabão e colocar a criança em posição confortável. Normalmente a posição ideal será em decúbito dorsal.
  • Lavar diariamente a zona em redor do botão com água tépida, sabão neutro e compressa de tecido não tecido, com movimentos circulares de dentro para fora; secar a área com compressa, cotonete de algodão, ou pano limpo sem exercer pressão. Limpar adequadamente o local do estoma e debaixo do suporte externo da sonda / botão.
  • Observar a pele em redor do estoma e manter a pele seca. Proteger a pele com creme protector e colocar compressa de protecção caso haja sinais de extravasamento. Não fazer “almofadas” com camadas de compressas debaixo do suporte.
  • Após a pele cicatrizar, não deve haver sinais de secreções junto ao estoma, evitando-se assim a colocação de compressa em redor doa sonda / botão, de forma a favorecer a circulação de ar e assim manter a integridade da pele.
  • Por vezes é útil a colocação de compressa no local onde o botão toca na pele de forma a evitar dor ou zona por pressão na pele da criança, mas sempre de forma a não tapar o estoma e a permitir que a pele respire.
  • Em caso de irritação no local do estoma, é benéfica a exposição ao ar, mas se não melhorar, a utilização de um creme protector da pele, ajuda contra a acidez que poderá surgir em torno do local de inserção da sonda, de forma a evitar a infecção do local. Se a situação se mantiver, deverá recorrer à equipa clínica de referência para verificar o estoma e origem da irritação da pele.
  • Traccionar suavemente a sonda / botão contra a parede abdominal até encontrar resistência, fixando externamente a sonda / botão.
  • Dar a volta inteira ao botão cuidadosamente, uma vez ao dia. Comprovar que a tampa de segurança está bem fechada sempre que não seja utilizada.
  • Verificar semanalmente o volume de água que há dentro do balão. Para isso, conectar uma seringa à válvula do balão, aspirando a água que está dentro. Se a quantidade for inferior à que se colocou no dia de mudança, encher a seringa com a quantidade de água destilada em falta e introduzir de novo no balão. A válvula do balão deve manter-se bem limpa para que funcione correctamente.
  • Vigiar distensão abdominal, elevar cabeceira em cerca de 30/45º e se necessário colocar a criança em decúbito lateral direito de forma a facilitar o esvaziamento gástrico. Vigiar conteúdo gástrico e drenar o mesmo caso seja necessário.
  • Vigiar eliminação intestinal e presença de vómitos.
  • Efectuar descompressão gástrica, drenando o conteúdo gástrico em caso de sinais de desconforto, náuseas e/ou distensão abdominal;
  • Verificar a posição da sonda ao surgirem sinais de desconforto ou dúvidas relativas ao tamanho exteriorizado.
  • Manter a posição da sonda traccionada contra a parede abdominal e lavar a sonda após cada utilização evitando a sua obstrução.
  • Validar aprendizagem da técnica de alimentação e esclarecer dúvidas acerca da mesma.

Adaptação da criança/ família/ cuidadores à gastrotomia

Actividade recreativa

  • A criança pode realizar as suas actividades habituais logo que se sentir capaz e o mais precocemente possível após a realização da ostomia. Não existem restrições relacionadas com qualquer actividade recreativa, nomeadamente natação.

Estimulação oral da criança

  • A estimulação oral deve ser desenvolvida com os pais / cuidadores nas diversas fases de desenvolvimento da criança.
  • Nos lactentes, efectuar estimulação nos lábios, bochechas, gengivas e língua com dedo enluvado, fazendo movimentos suaves e oferecer chupeta durante a administração da alimentação. É uma forma proporcionar conforto e contribuir para o desenvolvimento anatómico e funcional da boca da criança.
  • Proporcionar a oportunidade da criança sugar e mastigar os alimentos que se achem adequados, para esta os poder saborear, e assim manter a sensibilidade oral. Ter atenção às crianças com dificuldades na deglutição de forma a evitar engasgamentos e possíveis aspirações dos alimentos. As que tenham capacidade para entender, deverão saber que têm que rejeitar os alimentos após provarem e saborearem os mesmos. Nas crianças que tenham dificuldades cognitivas, este cuidado deverá ser redobrado, restringindo este aspecto da estimulação oral.

A Higiene Oral da criança

  • Dependendo das características de cada criança, assim será a frequência e tipo de higiene. Nos lactentes, as gengivas podem ser massajadas com uma compressa humedecida enrolada no dedo.
  • Mesmo nas crianças que se alimentam exclusivamente por gastrostomia, as gengivas têm necessidade de ser massajadas e os dentes escovados, idealmente duas vezes por dia. Os lábios devem ser humedecidos com água e manter-se devidamente hidratados.
  • Quando a criança atingir a idade para lavar os dentes (cerca dos dois anos),deve-se escovar os dentes e a língua com dentífrico infantil duas vezes por dia no mínimo. Dependendo da autonomia da criança, se for possível e a criança for capaz, bochechar diariamente com água ou colutório com flúor, tendo o cuidado de não ingerir dentífrico nem colutórios. Nas crianças, idealmente deve usar-se escova de dentes e consultar estomatologista de 6 em 6 meses.
  • Se a criança não tem autonomia deve estar inclinado para a frente durante a higiene oral, para prevenir possíveis engasgamentos. Não usar pasta dentífrica. Escovar diariamente com água e colutório para higiene oral.

Bibliografia

  1. BOWDEN,VivkyR;Greenberg,CindySmith-Procedimentos de Enfermagem Pediátrica 3ª ed.Guanabarakoogan,2013
  2. Direção Geral de Saúde-NORMA 014/2016 atualizada em 03/03/2017-Indicações Clínicas e Intervenção nas Ostomias de Alimentação em Idade Pediátrica e no Adulto
  3. HOCKENBERRY,M.J;WINKELSTEIN,W-Wong, Fundamentos de Enfermagem Pediátrica. 8ªed.Mosby Elsevier,2011.
  4. ORDEM DOS ENFERMEIROS-Guias Orientadores de Boa Prática em Enfermagem de saúde infantil e pediátrica-volume II.Lisboa,2011.p.55-65.

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