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Introdução

Definição

Os nódulos da mama na infância e adolescência são na sua maioria benignos e limitados no tempo. No entanto, detetar um nodulo mamário nesta idade é sinónimo de preocupação quer para a jovem quer para os familiares.

O fibroadenoma é atualmente considerado não uma neoplasia, mas uma lesão hiperplasica; apenas nos casos de histologia complexa, o aumento rápido ou de anomalias cromossómicas associadas, constituem um fator de risco para o cancro da mama.

A doença fibroquistica ocorre habitualmente devido a alterações fisiológicas relacionadas com o funcionamento hormonal, metabolismo e stress na adolescência. Esta pode dar origem a nódulo assintomático ou evoluir com sintomas mais intensos (desconforto ou mastalgia) geralmente na fase pré-menstrual.

A ectasia ductal, menos comum na adolescência, resulta do desenvolvimento exagerado dos ductos, podendo ser considerado uma variante do normal. O papiloma intraductal e o tumor filoide, habitualmente benignos, podem sofrer uma transformação maligna.

As lesões mamárias malignas são extremamente raras na adolescência e incluem o cancro da mama primário, metastático e secundário.

Epidemiologia

Os fibroadenomas constituem a quase a totalidade dos casos dos nódulos mamários da infância e adolescência, seguida pela doença fibroquistica. Menos frequente poderemos encontrar nódulos relacionados com ectasia ductal, abcesso mamário e tumor filoide. A doença maligna ocorre em menos de 1% da população pediátrica mas tratamentos de quimioterapia e radioterapia na infância tem risco aumentado para uma neoplasia maligna secundária.

História Clínica

Anamnese

A maioria das adolescentes com nodulo da mama apresentam um tecido mamário normal ou alterações fibroquisticas. A adolescente que se apresenta com nodulo da mama deve ser submetida a história clinica completa seguida de observação. Esta observação deve ser realizada após um ou dois ciclos menstruais verificando-se se houve qualquer alteração nas suas características. Existem aspetos importantes na história clínica que devem ser incluídos: - a dimensão do nodulo e o tempo desde que surgiu; sintomas associados (ex.: corrimento mamilar); lesões mamárias anteriores; a cronologia do desenvolvimento dos carateres sexuais secundários; a história menstrual; a medicação realizada (ex: contracetivos hormonais) e historia familiar de patologia mamária e/ou cancro da mama.      

Exame objectivo

O exame objetivo da mama da adolescente deve ser completo e rigoroso (ver descrição no artigo da patologia mamária)

Quando estamos perante um nodulo da mama é importante para o diagnóstico diferencial, considerar: 

  • a localização, a consistência, a dimensão, a mobilidade, se dolorosa à palpação, se acompanhada de febre, alterações cutâneas, aspeto do mamilo e se apresenta corrimento mamilar.

Diagnóstico Diferencial

Existem um número de causas de nódulos da mama na adolescência, na sua maioria benignos e autolimitados. A combinação entre a clinica e a ecografia mamária permite o diagnóstico, sendo por vezes necessário a confirmação etiológica recorrendo ao estudo citológico ou histológico.

1 - Fibroadenoma – clinicamente surge como um nódulo de contornos regulares, móvel, indolor e consistência duro-elástica. A sua localização é mais frequente no quadrante supero externo da mama e habitualmente evolui para a estabilização ou diminuição das suas dimensões. Quando é observado um crescimento rápido – o denominado fibroadenoma gigante, podendo atingir dimensões superiores a 5 cm, a conduta será a exérese cirúrgica.

2 - Tumor filoide – raro na adolescência, cria dificuldade no diagnóstico diferencial com fibroadenoma, mas por apresentar um comportamento biológico maligno torna necessário a excisão cirúrgica.

3 - Quistos mamários – podem apresentar-se como nódulos únicos ou múltiplos, simples ou complexos (à ecografia evidenciam vegetações e/ou espessamento da parede). Clinicamente, apresentam-se como nódulos móveis e muitas vezes dolorosos.

4 - Abcesso mamário – pouco comum, pode resultar de uma lesão subjacente (ectasia ductal, quisto sebáceo). Associada a sinais inflamatórios, nodulo tenso, dor e por vezes corrimento mamilar, febre e adenopatia axilar. O tratamento passa por analgesia, antibioterapia e mais raramente por cirurgia.

5 - Carcinoma da mama – apesar de raro na adolescência não deve ser negligenciado. O carcinoma metastático é mais frequentemente encontrado e associado a rabdomiossarcoma, leucemia, linfoma ou sarcoma Ewing, entre outros.

Exames Complementares

Patologia Clínica

  • Hemograma

Nos casos de sintomas sistémicos, suspeita de abcesso, recorrência ou exérese cirurgica

Microbiologia

  • Cultura do corrimento mamilar e do conteúdo de drenagem de abcesso

Imagiologia

A imagiologia, nomeadamente a ecografia mamária, é importante no diagnóstico diferencial dos nódulos da mama na adolescente. É o exame de eleição nesta faixa etária devido à presença de grande densidade mamária, recomendado nas jovens com idade inferior aos 30 anos. Distingue com grande sensibilidade nódulos sólidos de líquidos.

A mamografia nesta faixa etária é de difícil interpretação, devido à grande quantidade de tecido fibroglandular, e não é recomendada.

A utilização da ressonância magnética mamária na infância e adolescência ainda não está validada, sendo indicada apenas em casos selecionados.

Tratamento

Cirurgia

Os nódulos da mama na adolescência apresentam um baixo potencial de malignidade, pelo que se justifica, na ausência de fatores de risco, uma abordagem conservadora sendo a vigilância clinica, na maioria dos casos, a atitude mais correta.

A decisão de exérese dependerá das características da lesão, da sintomatologia e da sua evolução. Se existir potencial de malignidade, caso se verifique um crescimento rápido, se o diâmetro for ≥ 3cm ou se criar ansiedade na adolescente, então deve se optar pela exérese do nodulo mamário.

Antibioterapia

Está indicado nos casos de abcesso mamário – ver artigo de mastalgia.

Algoritmo clínico/ terapêutico

Evolução

Fibroadenomas assintomáticos que mantém clinica e ecograficamente as mesmas características durante um período de dois anos não será necessário excisão, a menos que haja preocupação clinica superior. A decisão de prosseguir com a excisão baseia-se na ansiedade familiar, história de cancro da mama e idade da doente.

As alterações fibroquisticas, tipicamente têm resolução espontânea em semanas ou meses.

Bibliografia

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  3. Cochrane J. Pedriatic breast masses. Radiology rounds. 2014;12
  4. Hille-Betz UKlapdor R. Treatment of Giant Fibroadenoma in Young Women: Results after Tumor Excision without Reconstructive Surgery. Geburtshilfe Frauenheilkd. 2015; 2015 Sep; 75(9): 929–934
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