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Introdução

Definição

Infeção provocada pelo vírus dengue, que pertence à classe Flaviviridae.

Estão identificados quatro serotipos: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4.

Epidemiologia

O vírus é universalmente transmitido através de picada do mosquito Aedes aegypti. Mas, na Ásia, o mosquito Aedes albopictus é também responsável pela transmissão. 

Foram registrados casos transmitidos verticalmente ou por transfusão de sangue.

Tendo como principal território as regiões tropicais e subtropicais, é endémico na Ásia, Sudeste Asiático, África Ocidental e Oriental e América Central e do Sul mas pode afetar outras regiões do globo terrestre, basta que haja condições ambientais para tal.

O período de incubação é de 2 a 15 dias.

A imunidade provocada por um serotipo é temporária para qualquer dos outros 3 serotipos (menos de 3 meses) e permanente para o mesmo serotipo.

Indivíduos sensibilizados por um serotipo por infeção passada podem desenvolver anticorpos não neutralizantes que podem exacerbar a doença por outros serotipos, resultando em ativação do complemento e grande permeabilidade vascular, base fisiopatológica da Febre Dengue Hemorrágica e Síndrome do Choque da Dengue.

Quadro clínico

A infeção inaugural por qualquer serotipo de vírus da dengue pode ser subclínica. Quando há clínica da Febre Dengue (antes vulgarmente designada Febre Quebra Ossos), esta caracteriza-se por intensa artralgia e mialgia, febre alta, cefaleias, calafrios, dor retroocular, anorexia, náuseas, vómitos e diarreia.

Epistaxes, gengivorragias, hepatoesplenomegalia, icterícia e exantema, que pode ser descamativo, podem também ser observados

Se ocorrer uma segunda infecção, causada por qualquer serotipo diferente daquele que causou a infeção inaugural, o quadro clínico pode inicialmente assemelhar-se ao da infeção inaugural mas, em fase posterior, pode agravar-se, surgindo hemorragia grave (Febre Dengue Hemorrágica) e/ou derrame pleural, ascite, hipotensão e colapso circulatório (Síndrome do Choque da Dengue).

Pode também haver Coagulação Intravascular Disseminada, convulsões na fase febril, meningoencefalite nas crianças, e, mais raramente, depressão, pneumonia, irite, aplasia/hipoplasia medular, ooforite e orquite.

Os lactentes podem ter apenas exantema e febre. Mas Febre Dengue Hemorrágica e Síndrome do Choque da Dengue podem ocorrer na infecção primária em lactentes nascidos de mães que foram imunizadas por vírus dengue de serotipo diferente.

Nas crianças mais velhas o quadro pode assemelhar-se ao dos adultos mas é geralmente mais suave e autolimitado.

Diagnóstico

Num contexto que indica possível infeção por vírus da dengue o diagnóstico é clínico.

A confirmação laboratorial é feita por PCR-RT (polymerase chain reaction real time reverse transcription) e ELISA IgM (enzyme-linked immunosorbent assay immunoglobulin M). Atualmente existem kits para testes rápidos de diagnóstico.

Há outros dados laboratoriais a ter em consideração:

  • aumento do hematócrito (sinal de hemoconcentração, importante para avaliar gravidade e servindo de parâmetro para monitorar a evolução);
  • trombocitopenia (entre o terceiro e o oitavo dia da doença o número de plaquetas pode chegar a valor inferior a 10 000 na Febre Dengue Hemorrágica e Síndrome do Choque da Dengue)
  • elevação das transaminases
  • leucopenia
  • acidose metabólica.

Diagnóstico Diferencial

  • Malária
  • Febre amarela
  • Doenças respiratórias virais
  • Hepatites virais
  • Febre tifóide
  • Rickettsioses
  • Leptospirose
  • Febre da carraça do Colorado
  • Febre do Valley Rift
  • Febre do Rio Ross
  • Febre de Chikungunya.

Tratamento

A Dengue não complicada pode ser tratada no domicílio:

  • paracetamol para as dores (nunca anti-inflamatórios não esteróides)
  • ingestão abundante de líquidos.

A Dengue complicada (sinais de choque, hemoconcentração, manifestações hemorrágicas graves, cianose, dificuldade respiratória) exige cuidados especiais:

  • internamento em Unidade de Cuidados Intensivos ou, na falta desta, em local capaz de fornecer a melhor assistência possível
  • administração de oxigénio
  • reposição da volemia e correcção de hemoconcentração com lactato de Ringer, soro fisiológico, ou qualquer outro semelhante
  • transfusão de concentrado de plaquetas: crianças 1 Unidade/5-10Kg de peso e adultos 5-6 Unidades
  • transfusão de concentrado de eritrócitos: crianças 10ml/Kg e adultos 1-2 Unidades.

Evolução

Na febre dengue não complicada, que pode ser tratada no domicílio, a melhoria ocorre geralmente no fim de alguns dias. As formas complicadas, 20-30% dos casos, podem evoluir para a morte por colapso circulatório.

Recomendações

Prevenção

Combater os mosquitos vectores por fumigação e eliminação dos seus focos.

Promover o uso de repelentes durante as epidemias.

Evitar estar ao ar livre durante o dia, altura em que os mosquitos transmissores da Dengue estão mais activos.

Não existe vacina para esta doença. 

Bibliografia

  1. Davidson R, Brent A, Seale A. Oxford Handbook of Tropical Medicine. Oxford University Press, 2014.
  2. Wilkinson I, Baldwin A, Wallin E. Oxford Handbook of Clinical Medicine. Oxford University Press, 2014.

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