Menu

Introdução

A pele é um órgão que apresenta diversas funções:

  • Termorreguladora;
  • Equilibro hidroelectrolítico;
  • Barreira, protegendo o organismo de agressões externas;
  • Imunitária;
  • Sensorial;
  • Cosmética;
  • Metabólica; ex: na síntese da vitamina D.

Considerações Gerais

A pele desenvolve-se a partir da 10ª semana de gestação.

A epiderme desenvolve-se a partir das 30 semanas, no final da gestação a espessura e estrutura serão semelhantes às do adulto.

Da 20ª à 38ª semana forma-se o vérnix caseosa. Composto pela mistura de secreção das glândulas sebáceas; células epiteliais do estrato córneo e lanugo. É constituído por 80% de água; 10% de proteínas e 10% de lipídeos. Cobre o corpo fetal, protege-o dos efeitos nocivos da exposição ao líquido amniótico e tem ação antimicrobiana.

Fisiologia

O pH da pele acidifica-se a partir do quarto dia de vida nos RN de termo criando um ambiente protetor contra agentes patogénicos.

A epiderme é mais fina, deixando a pele mais vulnerável. A espessura da pele é determinante nos grandes prematuros para o equilibro hidro-electrolítico. As perdas de água estão relacionadas com a idade gestacional e os dias de vida. Às 24 semanas calcula-se que estas sejam 10 vezes superiores às do RN de termo. Estas perdas de água e um panículo adiposo mais fino facilitam o arrefecimento do RN.

A menor espessura da camada córnea torna a pele do RN mais vulnerável aos efeitos nocivos da radiação ultravioleta .

A HIGIENE DA PELE

O banho

A maioria dos produtos utilizados no banho contém produtos detergentes para emulsionar as gorduras e facilitar a sua remoção. Esta propriedade interfere com a camada lipídica da pele destruindo a sua integridade. Os produtos syndets ou pains provocam menor lesão desta camada e respeitam seu pH. Recomendam-se produtos sem aditivos (ex: perfumes) e a evicção (limitação) do excesso de banhos.

O primeiro banho deverá ocorrer após as 6 horas de vida quando o risco de hipotermia é menor. Recomenda-se uma temperatura da água de 37 ºC e uma duração inferior a 5 minutos. Nos prematuros, o risco de hipotermia, os efeitos sobre a estrutura da pele e o risco de absorção de tóxicos são mais acentuados.

Existe alguma controvérsia relativamente à frequência de banhos recomendada, mas três a quatro banhos semanais serão suficientes e no pré-termo bastarão dois banhos.

As fraldas

A redução da humidade é fundamental para manter a integridade da pele. Uma fralda deverá ser capaz de absorver a urina e mantê-la afastada da pele reduzindo a humidade e o risco de eritema.

Existem várias tipos de fraldas:

- De tecido (algodão), recobertas de cueca plástica e reutilizáveis, são poucos práticas e têm pouco poder absortivo. O conjunto torna-se oclusivo e não deixam a pele “respirar”.

- Descartáveis, geralmente o exterior é de plástico que poderá ser oclusivo ou permitir o arejamento. No seu interior encontraremos celulose; polímeros altamente absorventes ou um gel cuja função é reter a água, diminuindo os episódios de eritema e de sobreinfecção por Candida albicans.

As fraldas devem ser mudadas regularmente durante o dia e uma vez durante a noite.

A região das fraldas

A higienização excessiva, a urina, as fezes, a fricção, a dieta com aumento do pH, a disrupção do estrato córneo e da camada lipídica, podem condicionar inflamação local. Os produtos adequados para a região das fraldas deverão criar uma barreira protetora e facilitar a capacidade de cicatrização dos tecidos.

As fezes podem ser removidas com tecidos embebidos em loções ou toalhetes, desde que livres de álcoois, perfumes e outras substâncias irritantes. No período neonatal a recomendação é para evitar o seu uso e nos RN pré-termos < 32 semanas de gestação sugere-se apenas o uso de água.

Os cuidados com o cordão umbilical

O cordão umbilical deve ser mantido limpo e seco para minimizar o risco de infeção. Sempre que conspurcado de fezes ou urina o cordão deve ser limpo com água e seco com um tecido que não liberte fibras. Deve deixar-se o cordão em contacto com o ar, para uma mumificação e separação mais rápidas. Ajustar a fralda abaixo do cordão: permite reduzir a humidade. A mudança frequente da fralda minimiza o contacto com fezes e urina.

Emolientes

Os emolientes reduzem a perda de água transepidérmica através de ingredientes com efeito oclusivo ou humectante. Os oclusivos, como a vaselina, a lanolina, a parafina os óleos vegetais e as ceramidas, diminuem a perda de água criando um filme lípico; os humectantes como a glicerina, o propilenoglicol, o lactato de sódio e o sorbitol, ajudam a reter a água na epiderme.

A sua utilização melhora a  barreira cutânea, não estando recomendados em grandes prematuros.

Nos RN saudáveis, para além do seu uso imediatamente após o banho, não parecem existir grandes benefícios na sua utilização diária. No eczema atópico está recomendado o seu uso diário.

Recomendações

  • Não remover o vérnix.
  • O banho só deve ser dado quando o recém-nascido estiver estável, após as primeiras 6 horas. Planear o primeiro banho no dia seguinte ao nascimento, com água a cerca de 37ºC.
  • Evitar o uso de toalhetes e outros produtos de limpeza no primeiro mês de vida. Usar apenas agua para a higiene do recém-nascido.
  • Recomendam-se 3-4 banhos por semana.
  • Usar fraldas, mudando-as frequentemente. Remover a sujidade com água ou toalhetes sem álcool ou perfumes.
  • Evitar o uso de creme, loções ou óleos com fins cosméticos nos recém-nascidos.  
  • Manter o cordão umbilical limpo e seco.

Bibliografia

  1. Yonezawa K, Haruna M, Shiraishi M, Matsuzaki M, Sanada H. Relationship between skin barrier function in early neonates and diaper dermatitis during the first month of life: a prospective observational study. Pediatr Dermatol. 2014;31:692-7.
  2. Garcia Bartels N, Lünnemann L, Stroux A, Kottner J, Serrano J, Blume-Peytavi U. Effect of diaper cream and wet wipes on skin barrier properties in infants: a prospective randomized controlled trial. Pediatr Dermatol. 2014;31:683-91.
  3. Simpson EL, Chalmers JR, Hanifin JM, Thomas KS, Cork MJ, McLean WH et al. Emollient enhancement of the skin barrier from birth offers effective atopic dermatitis prevention. J Allergy Clin Immunol. 2014 Oct;134:818-23.
  4. Blume-Peytavi U, Hauser M, Lünnemann L, Stamatas GN, Kottner J, Garcia Bartels N. Prevention of diaper dermatitis in infants--a literature review. Pediatr Dermatol. 2014;31:413-29.
  5. Visscher MO, Adam R, Brink S, Odio M. Newborn infant skin: physiology, development, and care. Clin Dermatol. 2015;33:271-80
  6. Macedo I, Peixoto J, Rodrigues M, Guedes B. Cuidados Cutâneos no recém-nascido. Consensos em Neonatologia da Sociedade Portuguesa de Neonatologia, 2014. Acessível em http://www.spneonatologia.pt/documents/consensuses/. Acedido em 11 novembro 2017

Deseja sugerir alguma alteração para este artigo?
Existe algum tema que queira ver na Pedipedia?

Envie as suas sugestões

Newsletter

Receba notícias da Pedipedia no seu e-mail