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Introdução

Definição

A avulsão consiste no arrancamento de parte da tuberosidade isquiática, em resultado de uma força de tração súbita exercida pelos músculos ísquio-tibiais, no seu local de inserção.

Epidemiologia

Este núcleo de ossificação só é visível por volta dos 15 anos [1] e funde-se com o corpo do ísquion entre os 20 e os 25 anos [1,4], pelo q a lesão é mais frequente em adultos jovens.

História Clínica

Anamnese

A avulsão está relacionada com dois tipos de mecanismo: um, mais frequente, associa-se a uma poderosa contracção muscular dos ísquio-tibiais com a bacia fixa em flexão e o joelho em extensão, ocorrendo habitualmente durante o lançamento do dardo ou a ginástica e provocando a avulsão da inserção dos ísquio-tibiais; outro, menos frequente, produz a lesão avulsiva da inserção do grande adutor que é usualmente ocasionada pela “espargata” durante a dança ou a ginástica [1,3,4].

Exame objectivo

Clinicamente o doente refere dor significativa com postura antálgica e desconforto quando se senta. A dor acentua-se pela flexão da coxa com o joelho em extensão e pela palpação sobre a tuberosidade [1,4].

Diagnóstico Diferencial

O diagnóstico diferencial faz-se com lesões fraturárias dos ramos ísquio e íleo-púbicos, lesões músculo-tendinosas nesta localização, síndromes de sobrecarga (p.e pubalgia) ou com patologias infecciosas ou tumorais

Exames Complementares

Patologia Clínica

Apenas poderá ser útil no diagnóstico diferencial com patologia infecciosa ou tumoral.

Imagiologia

Radiologicamente evidencia-se facilmente numa incidência ântero-posterior da bacia (fig. 4). Habitualmente o desvio é pequeno e contido pelo grande ligamento sacro-isquiático [1]

Tratamento

Conservador

O tratamento é controverso ainda que tradicionalmente conservador [1,2,5] com repouso, se necessário no leito em decúbito ventral com o joelho em flexão para relaxar os músculos ísquio-tibiais e diminuir o risco de pseudartrose [3], seguido logo que possível por marcha com canadianas e descarga [1,4].

Cirurgia

O tratamento cirúrgico para redução e osteossíntese, principalmente quando a diastase é grande, é equacionado por alguns autores que o justificam pela alta incidência de pseudartrose encontrada em algumas séries [3,4], referindo dever ser precocemente efectuado uma vez que o tratamento cirúrgico tardio levanta outros problemas, com necessidade de opção entre exérese ou osteossíntese, e outras dificuldades ao obrigar à excisão de um calo hipertrófico, por vezes responsável por dor persistente durante longos períodos em posição sentada [3].

Contrariamente, outros só recomendam a cirurgia no tratamento das referidas sequelas, após a verificação clara e tardia da sua ocorrência [1,2], subvalorizando a eventual dificuldade técnica acrescida.

Evolução

O prognóstico é geralmente bom, mas, por vezes, pode ser condicionado pela procidência resultante na tuberosidade isquiática, com dor persistente ao sentar, ou com nevralgia pelo envolvimento ou compressão de estruturas nervosas na vizinhança.

Recomendações

Um adequado aquecimento muscular e preparação física, assim como uma prática desportiva ajustada à idade e à fase de desenvolvimento, são as melhores recomendações, enquadrando-se nas medidas preventivas mais eficazes.

Bibliografia

  1. Canale ST: Fractures of the pelvis. In De Rockwood CA , Wilkins DE and King RE: Fractures in children, vol 3, Philadelphia, JB Lippincott Co:992, 1991.
  2. Crenshaw AH: Campbell’s operative orthopaedics, vol 2, Mosby Co, 1992.
  3. Ducloyer P and Filipe G: Apophyseal avulsion of the pelvis in children, Chir Pediatr 29(2-3):91, 1988.
  4. Nicholas JA and Hershman EB: The lower extremity and spine. In sports medicine, vol 2, St Louis, CV Mosby Co, 1986.
  5. Tachdjian MO: Pediatric Orthopedics, 2nd ed, vol 2, Philadelphia, W. B. Saunders Company, 1990.

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